Janeiro 6, 2012

Criança indígena de 8 anos é queimada viva por madeireiros

Publicado por:Rogério Tomaz Jr. | 05/01/2012

Mais uma vítima do progresso do agronegócio

Quando a bestialidade emerge, fica difícil encontrar palavras para descrever qualquer pensamento ou sentimento que tenta compreender um acontecimento como esse.

Na última segunda-feira (3) semana*. uma criança de oito anos foi queimada viva por madeireiros em Arame, cidade da região central do Maranhão.

Enquanto a criança – da etnia awa-guajá – agonizava, os carrascos se divertiam com a cena.

O caso não vai ganhar capa da Veja ou da Folha de São Paulo. Não vai aparecer no Jornal Nacional e não vai merecer um “isso é uma vergonha” do Boris Casoy.

Também não vai virar TT no Twitter ou viral no Facebook.

Não vai ser um tema de rodas de boteco, como o cãozinho que foi morto por uma enfermeira.

E, obviamente, não vai gerar qualquer passeata da turma do Cansei ou do Cansei 2 (a turma criada no suco de caranguejo que diz combater a corrupção usando máscara do Guy Fawkes e fazendo carinha de indignada na Avenida Paulista ou na Esplanada dos Ministérios).

Entretanto, se amanhã ou depois um índio der um tapa na cara de um fazendeiro ou madeireiro, em Arame ou em qualquer lugar do Brasil, não faltarão editoriais – em jornais, revistas, rádios, TVs e portais – para falar da “selvageria” e das tribos “não civilizadas” e da ameaça que elas representam para as pessoas de bem e para a democracia.

Mas isso não vai ocorrer.

E as “pessoas de bem” e bem informadas vão continuar achando que existe “muita terra para pouco índio” e, principalmente, que o progresso no campo é o agronegócio. Que modernos são a CNA e a Kátia Abreu.

A área dos awa-guajá em Arame já está demarcada, mas os latifundiários da região não se importam com a lei. A lei, aliás, são eles que fazem. E ai de quem achar ruim.

Os ruralistas brasileiros – aqueles que dizem que o atual Código Florestal representa uma ameaça à “classe produtora” brasileira – matam dois (sem terra ou quilombola ou sindicalista ou indígena ou pequeno pescador) por semana. E o MST (ou os índios ou os quilombolas) é violento. Ou os sindicatos são radicais.

Os madeireiros que cobiçam o território dos awa-guajá em Arame não cessam um dia de ameaçar, intimidade e agredir os índios.

E a situação é a mesma em todos os rincões do Brasil onde há um povo indígena lutando pela demarcação da sua área. Ou onde existe uma comunidade quilombola reivindicando a posse do seu território ou mesmo resistindo ao assédio de latifundiários que não aceitam as decisões do poder público. E o cenário se repete em acampamentos e assentamentos de trabalhadores rurais.

Até quando?

Atualização – 0h16 (06/01)

As informações sobre o episódio foram divulgadas pelo jornal Vias de Fato (www.viasdefato.jor.br), que faz um trabalho muito sério em São Luís, especialmente dedicado à cobertura da atuação dos movimentos sociais. No seu perfil no Facebook, uma das coordenadoras do Vias de Fato publicou a foto e a informação de que se tratava de uma criança queimada. Estamos apurando e reunindo mais informações para publicar assim que possível.

Janeiro 5, 2012

Três nações e o mesmo problema: a Vale

Moçambicanos, brasileiros e canadenses se reúnem para discutir impactos 

 

                                                                                                                                 04/01/2011

                                                                                                                           Márcio Zonta

                                                                                     de Açailândia (MA), do sítio Brasil de Fato 

 

Trem de passageiros que faz o trajeto da

Estrada de Ferro de Carajás – Foto: divulgação

Enquanto os impactos da mineradora Vale espalham-se, trabalhadores canadenses, moçambicanos e brasileiros reúnem-se para enfrentar as ações predatórias da transnacional nos três países.        

A comitiva que contava com cerca de 30 pessoas, entre sindicalistas, membros de movimentos sociais e políticos das três nações iniciaram as reuniões em Guararema, interior de São Paulo, na Escola Nacional Florestan Fernandes, partindo na seqüência, para São Luis com desfecho no interior do Maranhão.    

“Num primeiro momento foi mais de reunião, de análise de conjuntura entre os movimentos presentes”, relata o moçambicano Fabião Bernardo Manançia, presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Construção Civil, Madeira e Minas de Moçambique –SINTICIM, que participou do encontro realizado entre os dias 22 de novembro a 2 de dezembro.      

Na capital Maranhense, visitaram o complexo do Porto de Itaqui, onde é escoado para outros países o minério de Carajás, com navios capacitados para carregar até 400 mil toneladas do produto, aproximadamente três vezes mais que as 160 mil carregadas pelas embarcações comuns.        

No entanto, com investimentos de 2,35 bilhões de dólares numa frota de 19 dos maiores cargueiros do mundo feito pela mineradora visando o mercado asiático, sobretudo a China, vem sofrendo um boicote da Associação de Proprietários de Navios da China – COSCO (China Ocean Shipping Company), estatal que é uma das maiores empresas de transporte marítimo do mundo.        

“A Vale está tentando controlar o mercado de frete, assim como fez com o preço do minério de ferro”, disse à revista Bloomberg o vice-presidente da COSCO, Zhang Shouguo, em entrevista concedia em agosto.      

Acostumada a burlar as regras ambientais, principalmente no Brasil, na China, outro entrave que pode afogar os grandes investimentos feito na frota naval pela empresa é o fato de no país asiático em nenhum porto seja possível receber navios com mais de 300 mil toneladas.      

Espanto      

De São Luis, os membros do encontro tripartite: Moçambique, Canadá, Brasil embarcaram no trem de passageiros que faz o trajeto da Estrada de Ferro de Carajás tendo como destino a cidade de Açailândia, no sul maranhense.    

Um dos municípios mais emblemáticos da cadeia de produção do aço, onde as comunidades são impactadas por diversas formas. “Açailândia condensa em uma só área vários tipos de situações que comprometem o bem estar da população: mineração, desflorestamento, monocultura de eucalipto, poluição provocada pelas siderúrgicas e carvoarias, trabalho escravo, miséria, desnutrição e exploração sexual infantil”, relata o padre Dário Bosi, um dos coordenadores da Rede Justiça nos Trilhos.      

Cenário que levou muitos visitantes ao espanto. “Realmente estou muito preocupado, assombrado, e com medo de que isso possa acontecer em Moçambique”, disse Manançia depois visitar o assentamento Califórnia, cercado por uma carvoaria e vasta plantação de eucalipto, e o bairro do Piquiá, onde cerca de 300 famílias sofrem com a poluição da água, do solo e ar provocados pelas cinco siderúrgicas instaladas no inicio da década de 1980.     

O espanto do moçambicano não é exagero. Uma equipe formada pelo Centro de Referências em Doenças Infecciosas e Parasitárias da Universidade Federal do Maranhão, e do Núcleo de Estudos em Medicina Tropical da Pré-Amazônia, realizou um estudo no bairro abrangendo 55% dos domicílios. Segundo o relatório das equipes, o estado geral dos entrevistados era de regular para bom em 86,6% e com sinais de precariedade em 13,4%, ou seja, indivíduos que manifestavam falta de ar, estavam acamados ou eram possuidores de alguma doença degenerativa (diabetes, hipertensão arterial, doença de Parkinson ou doença cardiovascular).        

Chama-se a atenção que 63,3% afirmou ter tido alguma doença anteriormente e 41,1% têm alguma destas doenças atualmente. Quanto a manifestações orgânicas “as queixas recaíram sobre os pulmões e a pele”, revela o estudo. Ainda foi constatado que as manifestações ligadas ao aparelho respiratório (tosse, falta de ar e chiado no peito) foram queixas encontradas em todas as faixas etárias, inclusive com boa intensidade em menores de 9 anos de idade, além da cefaléia, encontrada em 61,2% dos moradores, que segundo a equipe médica “é um sintoma não comum em crianças dessa idade”.   

As manifestações de alergia, acometendo as vias aéreas superiores e olhos (coriza e lacrimejamento) foram encontrados em 61,2% dos pacientes.          

A visita se estendeu até o município vizinho de Bom Jesus das Selvas, onde, segundo o último censo realizado, 2010, mais de 50% da população vive com menos de setenta reais por mês. Assim numa cidade com aproximadamente 23 mil habitantes chegaram de uma hora para outra mais 3 mil homens para trabalhar na duplicação dos trilhos. O resultado os membros do encontro puderam escutar das comunidades, “em Bom Jesus das Selvas, está havendo um surto de gravidez entre as adolescentes, e a exploração sexual de menores está à vista de todo mundo. Basta andar de noite pelas festas e poderão ver os funcionários da Odebrecht saindo com essas meninas”, revela um assistente social da cidade que prefere não revelar seu nome.   

Na opinião de Maria Aparecida Silva, que coordena um grupo de jovens na comunidade, isso realmente acontece, pois “aqui a vulnerabilidade social devido à pobreza é muito grande, essas crianças, adolescentes saem com esse homens, funcionários da Odebrecht, em troca de quase nada, apenas roupas novas, sandálias, ou alguns trocados” observa.       

Minas      

Minas Gerais, onde a mineradora completa 70 anos de exploração no próximo ano continua sendo o principal pólo mineral do Brasil, com cerca de 65% de extração de minério no país.         

Não diferente das cidades maranhenses, os municípios mineiros impactados pela mineração, também sofrem com as investidas da empresa. “Em Mariana, a Vale está em processo de abertura da mina ‘Delrey’, dentro da cidade, toda a população é contra, pois vão destruir a cidade”, denuncia Efraim Gomes de Moura, assessor político do Sindicato Metabase Itabira e do Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos Municipais de Itabira (Sindsepmi).     

Outro projeto da mineradora pode afetar o abastecimento da capital, Belo Horizonte, “a Vale pretende explorar a extração de minério na Serra da Gandarela, que é rica em fauna e flora e abastece hoje parte da água de BH”, diz Moura.        

Moura lembra que no centro da cidade de Itabira, que teve a primeira mina aberta pela Vale em 1942, as pessoas sofrem com a poeira, abastecimento de água e se tornou uma cidade mono industrial, pois a escassez da água impossibilita outra atividade que não seja a mineração.        

O sindicalista relata ainda que na cidade de Congonhas, na comunidade do Pires, devido à escassez de água “precisa ser abastecida todo dia com um caminhão enchendo as caixas das casas e entregando garrafas de água mineral, além da comunidade estar as margens da BR 040 que liga o Rio de Janeiro a Belo Horizonte, onde o tráfego nesse perímetro tem muitas carretas carregadas de minério atropelando muito pessoas, são constantes as mortes de crianças, idosos, mulheres e homens”.       

Os três países     

Moçambicanos, canadenses e brasileiros reconhecem que os impactos nas comunidades são os mesmos, no entanto, os estágios da mineração ganham contornos diferentes nas três nações.        

“No Canadá a mineração é algo que já está consolidado”, diz a sindicalista Judith Marchall. Por isso as relações com a Vale no país são um pouco diferentes, “Não sei se a Vale faria com tanta facilidade assim, suas obras de expansão da mineração no Canadá, como faz hoje no Brasil, sem levar em conta as condicionais ambientais e sociais. Ela até faz suas obras, mas o governo canadense é mais rígido, sobretudo, com questões ambientais, ainda que haja bastante remoções de comunidades também”, explica o canadense Lorraine Michael.         

A Vale lançou um plano de investimento no inicio de 2011, que poderá ultrapassar dez milhões de dólares em cinco anos para elevar em cem mil toneladas anuais sua produção de cobre em solo canadense.       

No Brasil, o programa de Carajás se intensifica na região norte e nordeste com a duplicação da Estrada de ferro de Carajás, possibilitando nos próximos anos com a abertura da nova mina S11D, na fl oresta Nacional de Carajás no sul paraense, o escoamento de 220 milhões de toneladas de minério por ano. Estima-se um investimento de R$ 19,9 bilhões. Em Minas Gerais, no mais recente projeto da empresa para expandir a mineração no município de Congonhas, estaria desembolsando 12 milhões de dólares, o que poderia sumir com a Serra dos Mascates, tombada por ser patrimônio histórico. “Grande parte desses recursos são públicos, advindos do PAC e BNDES”, lembra Moura.         

Entretanto, Moçambique é hoje, entre os três países, o território mais cobiçado pela Vale. Recentemente a mineradora adquiriu 51% das ações da Sociedade de Desenvolvimento do Corredor do Norte S.A – SDCN. Uma extensão ferroviária de 912 quilômetros entre o interior de Moçambique e o porto de Nascala, no mesmo país.   

A aquisição é estratégica na visão do sindicalista moçambicano Manançia, “pois possibilita a empresa uma alternativa de transporte para enviar a produção do cobre para outros mercados pelo oceano, assim como também vai aproveitar para transportar outras cargas do eixo Zâmbia-Malauí-Moçambique”. O corredor logístico de Nascala receberá investimentos de 4,444 bilhões de dólares.         

Segundo o sindicalista, o distrito moçambicano de Tete será um dos mais impactados, “hoje a mineração lá é em pequena escala, mas o projeto que foi finalizado recentemente pela Vale, de carvão greenfi eld passa a escoar de 6 para onze milhões de toneladas, com perspectiva de duplicação de 22 milhões de toneladas”, relata Manançia.        

Embora a Vale propague seus investimentos monstruosos como forma de progresso em Moçambique, Manançia alerta, “já estamos sofrendo os problemas desse processo de expansão dos projetos da mineradora em nosso país, pois as pessoas estão sendo tiradas de suas terras boas para plantio e próxima às cidades para territórios distantes”, conclui. 

Dezembro 27, 2011

Quinze mil pessoas unidas pela continuidade das ações da ASA

Catarina de Angola* e Mariana Mazza**
Petrolina – PE
22/12/2011
 

Agricultores e agricultoras atravessaram a ponte que liga Juazeiro a Petrolina para participar do ato público da ASA | Foto: Ivan Cruz/Asacom

Cerca de 15 mil agricultores e agricultoras de todos os estados do Semiárido brasileiro. Esse foi o número de participantes da caminhada realizada pela Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA) entre as cidades de Juazeiro, na Bahia, para participar do ato público realizado em Petrolina, Pernambuco, na última terça-feira (20). Os números foram divulgados pela Polícia Rodoviária Federal.

Os agricultores e agricultoras ocuparam a ponte que liga as duas cidades sertanejas para dizer ao governo federal que querem a continuidade da parceria do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) com a ASA, para a continuidade dos programas Um Milhão de Cisternas (P1MC) e Uma Terra e Duas Águas (P1+2). “É inadmissível que se corte a parceria com a ASA, não se pode aceitar que uma prática da qualidade dessa, que já construiu mais de 370 mil cisternas no Semiárido, seja de uma hora pra outra desconsiderada pelo governo federal. Nós queremos dizer ao governo que estamos na perspectiva de sermos chamados para reconstruir essa relação”, pontuou Naidison Baptista, integrante a coordenação executiva da ASA.

As delegações começaram a chegar logo cedo na orla do Rio São Francisco, na cidade de Juazeiro. Ônibus de todos os estados do Nordeste e do Norte de Minas Gerais desembarcaram com os agricultores/as que foram se organizando na concentração e, por volta das 10h, seguiram rumo à cidade de Petrolina pela Ponte Presidente Dutra, que liga os dois municípios. Faixas e bandeiras traziam o sentimento das delegações. “Desarticular é retroceder. A ASA é o povo no Semiárido. Não queremos voltar à Indústria da Seca” dizia a faixa que abria a caminhada. “Não acabe o que vem dando certo. Parceria da ASA/MDS”, pedia outra faixa. “Por um Semiárido mais justo” esse era outro dos dizeres que podiam ser lidos em meio à multidão.

A caminhada reuniu muita gente, inclusive pessoas que ainda não tinham recebido cisternas, mas que estavam lá porque sabiam da importância da ação da ASA para suas comunidades. A agricultora Danúzia da Silva, do município de Dormentes, em Pernambuco era uma dessas pessoas. “A ASA ajudou muito na nossa região, porque a falta de água é muito grande. Não tenho cisterna, mas hoje eu estou muito feliz de participar e representar minha comunidade”.

O agricultor José Miguel de Souza, de Ouricuri, também não tem cisterna em casa, mas estava na caminhada. Questionado sobre o que achava do fim da parceria entre MDS e ASA respondeu: “É só a gente dar o troco ao governo depois, porque foi a gente que colocou ele lá”.

Ato Público

 

Naidison Baptista falou da importância da ASA como propositora de políticas públicas para o Semiárido | Foto: Ivan Cruz/Asacom

“É hora de transformar o que não dá mais/ Sozinho, isolado, ninguém é capaz/ Por isso vem/ Entra na roda com a gente, também/ Você é muito importante! Vem!”. O refrão da música conclamava os participantes que chegavam da caminhada de Juazeiro para participar do ato público em Petrolina a pedir pela continuidade da política de convivência com o Semiárido desenvolvida pela ASA.

O coordenador da ASA, Naidison Baptista, reforçou a importância da Articulação na construção não apenas das cisternas, mas de uma política pública de convivência com o Semiárido. “A ASA já entregou prontas, funcionando, 372 mil cisternas. Todas elas têm as fotos das pessoas, têm o lugar onde as cisternas estão, podem ser achadas a qualquer momento. São quase 2 milhões de pessoas bebendo água de qualidade e que bebiam lama ou trocavam o seu voto por uma lata de água. Isso está acabando com o nosso trabalho. Nós não vendemos mais o nosso voto”, reforçou.

A agricultora Maria José Ramalho, da comunidade Malhada Branca, no município pernambucano de Buíque, falou em nome dos agricultores e agricultoras presentes, pedindo pela permanência do Programa Um Milhão de Cisternas. “Esse programa não é um programa de construção de cisternas. É um programa de construção de cidadania! Ele não pode ir para as mãos de políticos para que nos tornemos novamente um curral eleitoral”, reiterou Maria José, defendendo que a execução das ações da ASA sem a participação da sociedade civil pode trazer de volta práticas de uso eleitoral das cisternas.

Além dos representantes da ASA e das delegações de agricultores, o ato contou com a presença de integrantes do Consea, da Contag, do MST, além do Bispo Emérito de Petrolina, Dom Paulo Cardoso, que representou a CNBB.

Dom Paulo leu a carta de Dom Genival Freitas, presidente da Regional Nordeste II, que representa as 21 dioceses e arquidioceses de Alagoas, Paraíba e Pernambuco. “A causa abraçada pela ASA está em consonância com a linha das ações mobilizadoras do Regional Nordeste II, através do setor da Pastoral Social. A presidência do regional apresenta, portanto, a ASA como seu representante no ato público de Petrolina e defende a preservação de parcerias que são exitosas e a participação social na construção da cidadania”, dizia um trecho da carta.

Cisternas de plástico

 

 Agricultores protestaram contra as cisternas de plástico | Foto: Gleiceani Nogueira/Asacom

O ato também reforçou a posição da ASA contra as cisternas de plástico que já começaram a ser implantadas pelo governo federal. “A cisterna de plástico não emprega nossos pedreiros, não movimenta nosso comércio, não mexe com as comunidades. Ela é um pacote pronto de fora, que gera apenas lucros para as empresas. Quando ela tiver um problema, quem conserta? Quem corrige?”, indagou.

O coordenador pediu ainda que a sociedade civil seja incluída na construção de políticas públicas para o Semiárido. “Nós não admitimos ser excluídos, não admitimos a cisterna de plástico e queremos ser chamados pelo governo para um diálogo maduro onde encontremos soluções reais para os problemas que estamos enfrentando”, frisou Naidison.

Para a agricultora Cleonice Constantino, de Remígio, na Paraíba, a cisterna de placas trouxe muitas mudanças. “Minha cisterna significou muito. Mudou tudo que eu tenho hoje, as verduras e muita coisa que a gente tinha que comprar e hoje temos em casa. Nós queremos mais cisternas para as outras pessoas que não tem. E a cisterna de plástico não tem futuro. As águas ficam quentes e sem vida!”.

Já a agricultora Maria José acredita que a cisterna de plástico não garante a qualidade da água que será consumida pelas famílias. “A gente não quer piscina! A gente quer algo para guardar a nossa água. E a gente quer a nossa água gostosa, não com resíduos de plástico”, concluiu.

* comunicadora popular da ASA
**Asacom

 

Dezembro 14, 2011

100 anos de Carlos Mariguella, um lutador do povo Brasileiro

Mariguella2.jpg (14145 bytes)Abaixo um pouco da história de um grande lutador do povo brasileiro, relembrar é viver, e em um momento onde se aflora o debate sobre os crimes da ditadura militar, é salutar lembrar da valorosa história de mais uma de suas vitimas.

Carlos Marighella nasceu em Salvador, Bahia, em 5 de dezembro de 1911. Era filho de imigrante italiano com uma negra descendente dos haussás, conhecidos pela combatividade nas sublevações contra a escravidão. De origem humilde, ainda adolescente despertou para as lutas sociais. Aos 18 anos iniciou curso de Engenharia na Escola Politécnica da Bahia e tornou-se militante do Partido Comunista, dedicando sua vida à causa dos trabalhadores, da independência nacional e do socialismo. Conheceu a prisão pela primeira vez em 1932, após escrever um poema contendo críticas ao interventor Juracy Magalhães. Libertado, prosseguiria na militância política, interrompendo os estudos universitários no 3o ano, em 1932, quando deslocou-se para o Rio de Janeiro. Em 1o de maio de 1936 Marighella foi novamente preso e enfrentou, durante 23 dias, as terríveis torturas da polícia de Filinto Müller. Permaneceu encarcerado por um ano e, quando solto pela “macedada” – nome da medida que libertou os presos políticos sem condenação — deixou o exemplo de uma tenacidade impressionante. Transferindo-se para São Paulo, Marighella passou a agir em torno de dois eixos: a reorganização dos revolucionários comunistas, duramente atingidos pela repressão, e o combate ao terror imposto pela ditadura de Getúlio Vargas. Voltaria aos cárceres em 1939, sendo mais uma vez torturado de forma brutal na Delegacia de Ordem Política e Social (DOPS) de São Paulo, mas se negando a fornecer qualquer informação à polícia. Na CPI que investigaria os crimes do Estado Novo o médico Dr. Nilo Rodrigues deporia que, com referência a Marighella, nunca vira tamanha resistência a maus tratos nem tanta bravura. Recolhido aos presídios de Fernando de Noronha e Ilha Grande pelo seis anos seguintes, ele dirigiria sua energia revolucionária ao trabalho de educação cultural e política dos companheiros de cadeia. Anistiado em abril de 1945, participou do processo de redemocratização do país e da reorganização do Partido Comunista na legalidade. Deposto o ditador Vargas e convocadas eleições gerais, foi eleito deputado federal constituinte pelo estado da Bahia. Seria apontado como um dos mais aguerridos parlamentares de todas as bancadas, proferindo, em menos de dois anos, cerca de duzentos discursos em que tomou, invariavelmente, a defesa das aspirações operárias, denunciando as péssimas condições de vida do povo brasileiro e a crescente penetração imperialista no país. Com o mandato cassado pela repressão que o governo Dutra desencadeou contra o comunistas, Marighella foi obrigado a retornar à clandestinidade em 1948, condição em que permaneceria por mais de duas décadas, até seu assassinato. Nos anos 50, exercendo novamente a militância em São Paulo, tomaria parte ativa nas lutas populares do período, em defesa do monopólio estatal do petróleo e contra o envio de soldados brasileiros à Coréia e a desnacionalização da economia. Cada vez mais, Carlos Marighella voltaria suas reflexões em direção do problema agrário, redigindo, em 1958, o ensaio “Alguns aspectos da renda da terra no Brasil”, o primeiro de uma série de análises teórico-políticas que elaborou até 1969. Nesta fase visitaria a China Popular e a União Soviética, e anos depois, conheceria Cuba. Em suas viagens pôde examinar de perto as experiências revolucionárias vitoriosas daqueles países. Após o golpe militar de 1964, Marighella foi localizado por agentes do DOPS carioca em 9 de maio num cinema do bairro da Tijuca. Enfrentou os policiais que o cercavam com socos e gritos de “Abaixo a ditadura militar fascista” e “Viva a democracia”, recebendo um tiro a queima-roupa no peito. Descrevendo o episódio no livro “Por que resisti à prisão”, ele afirmaria: “Minha força vinha mesmo era da convicção política, da certeza (…) de que a liberdade não se defende senão resistindo”. Repetindo a postura de altivez das prisões anteriores, Marighella fez de sua defesa um ataque aos crimes e ao obscurantismo que imperava desde 1o de abril. Conseguiu, com isso, catalisar um movimento de solidariedade que forçou os militares a aceitar um habeas-corpus e sua libertação imediata. Desse momento em diante, intensificou o combate à ditadura utilizando todos os meios de luta na tentativa de impedir a consolidação de um regime ilegal e ilegítimo. Mas, mantendo o país sob terror policial, o governo sufocou os sindicatos e suspendeu as garantias constitucionais dos cidadãos, enquanto estrangulava o parlamento. Na ocasião, Carlos Marighella aprofundou as divergências com o Partido Comunista, criticando seu imobilismo. Em dezembro de 1966, em carta à Comissão Executiva do PCB, requereu seu desligamento da mesma, explicitando a disposição de lutar revolucionariamente junto às massas, em vez de ficar à espera das regras do jogo político e burocrático convencional que, segundo entendia, imperava na liderança. E quando já não havia outra solução, conforme suas próprias palavras, fundou a ALN – Ação Libertadora Nacional para, de armas em punho, enfrentar a ditadura. O endurecimento do regime militar, a partir do final de 1968, culminou numa repressão sem precedentes. Marighella passou a ser apontado como Inimigo Público Número Um, transformando-se em alvo de uma caçada que envolveu, a nível nacional, toda a estrutura da polícia política. Na noite de 4 de novembro de 1969 – há exatos 30 anos — surpreendido por uma emboscada na alameda Casa Branca, na capital paulista, Carlos Marighella tombou varado pelas balas dos agentes do DOPS sob a chefia do delegado Sérgio Paranhos Fleury.

Resumo biográfico

1911 – No dia 5 de dezembro, Carlos Marighella nasce na Rua do Desterro número 9, na cidade de São Salvador, Estado da Bahia. Seus pais são o casal Maria Rita do Nascimento, negra e filha de escravos, e o imigrante italiano, o operário Augusto Marighella. Carlos teve sete irmãos e irmãs.

1929 – Marighella começa a cursar engenharia civil na antiga Escola Politécnica da Bahia, depois de haver estudado no Ginásio da Bahia, hoje Colégio Central. Numa e noutra escola, destaca-se como aluno, pela alegria e criatividade. São famosas suas diversas provas em versos.

1932 – Ingressa na Juventude Comunista. O Partido Comunista havia sido criado em 1922. Com a revolução de 30 uma grande efervescência política varria o Brasil. Marighella participa de manifestações contra o regime autoritário e o interventor Juracy Magalhães. Inconformado com versos de Marighella que o ridicularizavam, Juracy manda prendê-lo e espancá-lo.

1936 – Abandona o curso de engenharia e vai para São Paulo a mando da direção, reorganizar o Partido Comunista, que havia sido gravemente reprimido após o levange de 1935. É, porém, novamente preso e torturado durante 23 dias pela Polícia Especial de Felinto Muller.

1937 – Marighella é libertado pela anistia assinada pelo ministro Macedo Soares e, quatro meses depois, Getúlio dá o golpe e instaura o Estado Novo. Na clandestinidade, Marighella é encarregado da difícil tarefa de combater as tendências internas dissidentes da linha oficial do PCB em São Paulo.

1939 – Preso pela terceira vez, é confinado em Fernando de Noronha. Na cadeia, os revolucionários presos organizam uma universidade popular e Marighella dá aulas de matemática e filosofia.

1942 – Os presos políticos vão para a Ilha Grande, no litoral do Rio de Janeiro, porque Fernando de Noronha passa a ser usada como base de apoio das operações militares dos aliados no Atlântico Sul.

1943 – Na Conferência da Mantiqueira, Marighella, mesmo preso, é eleito para o Comitê Central. O Partido Comunista adota linha de apoio ao governo Vargas em razão da entrada do Brasil na guerra, posição de que ele discorda, embora a cumpra, por dever de militância.

1945 – Anistia, em abril, devolve à liberdade os presos políticos. Com a vitória das forças antifascistas, o PCB vai à legalidade e participa da eleição para a Constituinte. Marighella é eleito como um dos deputados constituintes mais votados da bancada..

1946 – Apesar do apoio de Prestes, o general Dutra, eleito Presidente da República, desencadeia repressão aos comunistas. Marighella participa ativamente da Constituinte com um dos redatores do organismo parlamentar. Conhece Clara Charf.

1947 -Ainda no primeiro semestre é fechada a União da Juventude Comunista. Depois, é o próprio Partido que é posto na ilegalidade. Marighela coordena a edição da revista teórica do PCB, Problemas e vive um relacionamento com dona Elza Sento Sé, que resulta no nascimento, em maio de 1948, de seu filho Carlos.

1948 – No início do ano são cassados os mandatos dos parlamentares comunistas. Marighella volta à clandestinidade. Data desse ano seu romance com Clara Charf, sua companheira até o fim da vida.

1949/1954 – Em São Paulo, Marighella cuida da ação sindical do PCB. Sob sua direção o PC se vincula aos operários, participa da campanha “O Petróleo é nosso” e organiza a greve geral conhecida como “dos cem mil” em 1953. Considerado esquerdista pela direção do Partido, é mandado em viagem à China. Lá é internado em razão de uma pneumonia. Depois, vai à União Soviética e volta ao Brasil em 1954.

1955 – A morte de Getúlio Vargas e o início do governo de Juscelino Kubistchek permitem que os comunistas, embora na ilegalidade, atuem de modo mais visível.

1956/1959 – O XX Congresso do PC da União Soviética inicia a desestalinização. O PCB adota a linha da “coexistência pacífica” pregada pela União Soviética. A vitória da Revolução Cubana, porém, contraria frontalmente as posições do movimento comunista internacional.

1960/1964 – A renúncia de Jânio gera uma crise política. Jango toma posse e Marighella passa a divergir da linha oficial do PC, principalmente de sua política de moderação e subordinação à burguesia. Em 1962, divisão do PC dá origem ao Partido Comunista do Brasil – PC do B.

1964 – Com o golpe de abril, instaura-se a ditadura militar. Perseguido pela polícia, Marighella entra num cinema do bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, e lá resiste aos policiais até ser diversas vezes baleado, espancado e finalmente preso. Sua resistência transformou sua prisão em um ato político que teve repercussão nacional. É solto depois de 80 dias, depois de um habeas corpus pedido pelo advogado Sobral Pinto.

1965 – Escreve e publica o livro “Por que resisti à prisão”, em que aponta sua opção por organizar a resistência dos trabalhadores brasileiros contra a ditadura e pela libertação nacional e o socialismo.

1966 – Publica “A Crise Brasileira”, onde aprofunda suas posições críticas à linha do PCB, prega a adoção da luta armada contra a ditadura, fundada na aliança dos operários com os camponeses.

1967 – Na Conferência Estadual de São Paulo as idéias de Marighella saem vitoriosas por ampla maioria – 33 a 3 -, apesar da participação pessoal e contrária de Luiz Carlos Prestes. Vendo que a derrota no VI Congresso era iminente, Prestes inicia um processo de intervenções nos Estados, para impedir a participação de delegados ligados à corrente de esquerda. Marighella viaja a Cuba para participar da conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade-OLAS. O PCB envia telegrama desautorizando sua participação e ameaçando-o de expulsão. Disso resulta uma carta dele rompendo com o Comitê Central do PCB e afirmando que ninguém precisa pedir licença para praticar atos revolucionários. Como represália, é expulso do Partido Comunista. Retorna ao Brasil e funda a Ação Libertadora Nacional-ALN e dá início à luta armada contra a ditadura militar.

1968 – Marighella participa diretamente de diversas ações armadas recuperando fundos para a construção da ALN. No primeiro de maio, em São Paulo, os operários tomam o palanque de assalto, expulsam o governador Sodrée realizam comemorações combativas do dia internacional dos trabalhadores. O Movimento estudantil toma conta das ruas em manifestações contra a ditadura que chegaram a mobilizar cem mil pessoas. Em outubro, porém, o Congresso da UNE é descoberto pela polícia e os estudantes sofrem grave derrota. Também no final do ano, torna-se conhecido o fato de que Marighella comandava parte das ações guerrilheiras.

1969 – No início do ano, a descoberta de planos da Vanguarda Popular Revolucionária – VPR pela polícia antecipa a saída do capitão Carlos Lamarca de um quartel do exército em Osasco, levando um caminhão carregado com armamento para a guerrilha. Em setembro o embaixador norte-americano é feito prisioneiro por um destacamento unificado com integrantes da ALN e do MR-8 e trocado por quinze presos políticos. No dia 4 de novembro, às oito horas da noite, Carlos Marighella caiu numa emboscada armada pelos inimigos do povo brasileiro em frente ao número 800 da alameda Casa Branca, em São Paulo, e foi assassinado. Sua organização, a ALN sobreviveu até 1974.

Dezembro 14, 2011

Código Florestal a serviço do latifúndio e do agronegócio

10 de novembro de 2011

 
Por Djoni Roos*

A cobertura vegetal brasileira vem desde muito tempo sendo destruída. Desde a invasão
portuguesa no século XVI que as riquezas naturais do país são exploradas e as florestas arrasadas. Fato que se acelerou com a forma de ocupação territorial estabelecida, ou seja, grandes propriedades com a permissão para a exploração sem limites da cobertura vegetal, aliás, com incentivos para a destruição do ambiente.

Não havia, portanto, nenhuma legislação no país que prescrevesse os cuidados necessários com os recursos naturais. Somente em 1930 foi elaborado o primeiro Código Florestal Brasileiro através do Decreto nº 23.793, de 23-01-1934. Em 1965 o texto do Código foi reformulado (Lei Federal 4.771) visando controlar minimamente o desmatamento, que, aliás, foi incentivado pelo próprio Estado através de projetos de
colonização na Amazônia. Apesar de datar da década de 1960 o Código Florestal vigora até os dias atuais e se constitui num dos principais pilares da legislação ambiental brasileira.

O Código Florestal brasileiro, promulgado em 1965, considera em seu texto que as florestas e demais coberturas vegetais são bens de interesse comum a todos os habitantes do país. Implementou ainda, as figuras da Reserva Legal (RL) e da
Área de Preservação Permanente (APP). Portanto, o Código Florestal colocava em pauta a defesa de ampla área de cobertura vegetal nativa e designava ao Estado o papel de fiscalizar e garantir o cumprimento da legislação.

Entretanto, na maioria dos casos, a legislação ambiental brasileira não foi cumprida. Milhares de hectares de florestas e demais coberturas vegetais foram destruídas, depois de 1965, inclusive aquelas áreas previstas pelo Código Florestal como de preservação permanente. Ou seja, o desrespeito à legislação foi o que imperou, os crimes ambientais cometidos foram sob a conivência do Estado brasileiro, que incumbido da fiscalização e proteção ambiental prevista pelo Código, não o fez, ou melhor, estimulou por meio de políticas diversas o desmatamento, inclusive daquelas áreas protegidas por lei.

Desde 2008 existe uma discussão no Congresso Nacional para alteração do atual Código Florestal. A discussão sobre a mudança no Código se intensificou no ano passado devido à pressão da bancada ruralista (políticos ligados aos setores latifundiários e do agronegócio) e com a apresentação do texto substitutivo proposto pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB). O substitutivo proposto representa perdas ambientais e sociais, propiciando o aumento do desmatamento de forma generalizada em todos os biomas.

A alteração proposta trata-se de um retrocesso do que mais progressista se conseguiu até hoje em termos de preservação ambiental no Brasil.

Dentre as principais e mais perigosas questões propostas pelo substitutivo estão:

A ANISTIA IRRESTRITA AO DESMATAMENTO ILEGAL OCORRIDO ATÉ 2008;

Esta medida estabelece a legalização do crime ambiental no Brasil. Quem desmatou áreas protegidas por lei, transgrediu a regra e, portanto, precisa responder por estes atos. A atual proposta trata de beneficiar os desmatadores ao invés de fazer com que respondam pelos crimes ambientais cometidos.

Como pano de fundo essa proposição visa encobrir os atuais desmatamentos acometidos de forma irregular em nosso país, beneficiando grandes proprietários fundiários que desmataram imensas áreas, principalmente na Amazônia e no Cerrado.

ELIMINAÇÃO DA RESERVA LEGAL PARA PROPRIEDADES DE ATÉ 4 MÓDULOS RURAIS INCLUSIVE NA AMAZÔNIA;

Essa isenção em áreas da Amazônia significa a devastação total de propriedades com até 400 hectares, já que nessa região o módulo rural equivale a 100 hectares. Além disso, a eliminação da obrigatoriedade da reserva legal traz consequências drásticas não somente para a região compreendida pela floresta amazônica. É preciso compreender que as reservas legais se constituem como importantes remanescentes da fauna e da flora, possuindo papel de extrema importância na preservação da biodiversidade.

Neste ponto, reiteramos outro equívoco do texto substitutivo do Código que estabelece que a compensação da Reserva Legal possa ser feita fora da bacia hidrográfica. Salientamos que cada bacia hidrográfica possui suas particularidades em termos de biota, acarretando numa alta heterogeneidade das formações vegetais dentro de cada bioma. Por isso, as compensações devem ser feitas nas micro-bacias, ou no máximo nas bacias hidrográficas, levando sempre em consideração as particularidades e diversidade de cada uma.

Ainda sobre a Reserva Legal, outras implicações que a proposta substitutiva traz são: Substituição da Reserva Legal por espécies exóticas, ou seja, a supressão da vegetação nativa destas áreas poderá ser utilizada para a expansão da monocultura de eucaliptos e pinus, o que acarretará prejuízos irreversíveis a biodiversidade e atenderá apenas aos interesses de setores do latifúndio/agronegócio.

Além disso, a proposta inclui as APPs (matas ciliares, encostas, topos de morro) como partes da Reserva Legal, fato que causará drástica diminuição no tamanho dos já tão pequenos fragmentos de reserva. Outro fator referente à Reserva Legal que visa claramente beneficiar grileiros e latifundiários é a diminuição da mesma na Amazônia Legal, de 80% para 50%. Na realidade, esta medida visa encobrir os atuais crimes de desmatamento que vem ocorrendo na Amazônia, devido a expansão da agropecuária (pecuária, soja e cana-de-açúcar, principalmente), legalizando tais transgressões ambientais. Ainda, se aprovada, esta proposta acarretará na destruição de grande parte da floresta Amazônica, causando impactos irreversíveis ao bioma, além de aumentar a emissão de gases poluentes na atmosfera como o CO2.

TRANSFERÊNCIA DA REGULAMENTAÇÃO PARA O NÍVEL ESTATAL;

Esta é uma atitude de alto grau de desconhecimento sobre os biomas brasileiros. Os biomas não respeitam delimitações político-administrativas, assim como os Estados, por isso é impossível pensar em leis estaduais distintas capazes de garantir a preservação ambiental, residindo aí a necessidade de se ter um controle a nível federal. No entanto, esta resolução visa criar uma flexibilização nas leis ambientais, pois, o controle a nível estatal possibilitaria que em determinados Estados onde a bancada ruralista possui
mais força nas Assembléias Legislativas, a diminuição dos entraves para a destruição ambiental.

DIMINUIÇÃO DA ÁREA DAS APPS;

O texto substitutivo apresenta outros agravantes ainda com relação às Áreas de Preservação Permanentes, que são formações vegetais situadas ao longo de rios, cursos de água, nascentes, topos de morros, montanhas, serras, encostas com declividade superior a 45º, entre outras. O texto em discussão propõe uma diminuição destas áreas. Rios e córregos, que pelo atual Código devem ter no mínimo 30
metros de largura da mata ciliar de cada lado da sua margem, passariam segundo a nova proposição, a necessária preservação de apenas 15 metros.

O texto em discussão acrescenta ainda que topos de morros e encostas poderão ser utilizados para exploração florestal, entenda-se, expansão da silvicultura nestas áreas com o cultivo de monoculturas como o eucalipto. Estas áreas pelo atual Código estão protegidas de desmatamento e do cultivo irracional de espécies exóticas. As áreas de várzeas e pantanosas que pela atual legislação são resguardadas da devastação, ou seja, são áreas de preservação permanente. Pelo substitutivo proposto poderão ser
utilizadas para fins agropecuários.

Fica evidente a partir de alguns pontos aqui abordados, que a proposta de mudança do Código apresentada, trata-se de um retrocesso em termos de preservação ambiental no Brasil. O projeto de alteração proposto privilegia exclusivamente os desejos arcaicos dos latifundiários brasileiros em oposição à proteção ambiental. É preciso enfatizar ainda, que a mudança no Código Florestal Brasileiro vem sendo defendida pela bancada ruralista do congresso, exímios representantes dos interesses do latifúndio/agronegócio que se utilizam do pífio argumento de que o atual Código Florestal entrava o desenvolvimento do país.

Acontece que o agronegócio brasileiro é o maior destruidor das coberturas vegetais nativas do país. Estas áreas estão sendo substituídas por monoculturas de cana-de-açúcar, soja, eucalipto, pecuária, etc., acarretando em muitos casos processos de arenização e desertificação como já comprovado em algumas áreas. Ou seja, a expansão do latifúndio/agronegócio está intimamente ligada com a destruição dos
recursos naturais. Neste ponto que se encontra a pressão dos setores de proprietários fundiários representados pela CNA (Confederação Nacional da Agricultura) e a sua “senhora motosserra” (senadora Kátia Abreu) e políticos comprometidos com o latifúndio/agronegócio para a alteração do atual Código Florestal.

É preciso esclarecer que não se trata de um embate entre ambientalistas e agricultores como defendem os representantes do latifúndio/agronegócio. O latifúndio/agronegócio busca criar um verdadeiro pânico em torno do Código Florestal dizendo que as leis ambientais visam inviabilizar qualquer forma de agricultura, principalmente a camponesa. Esta estratégia tem como finalidade cooptar os camponeses, afirmando que ambos (latifúndio/agronegócio e agricultura camponesa) estão do mesmo lado.

Além disso, a propaganda midiática elaborada e apresentada pelo latifúndio/agronegócio afirma que a proteção aos recursos naturais no Brasil é um entrave ao “desenvolvimento” do setor agrícola do país.

Acreditamos que não se trata de um embate entre agricultura e preservação ambiental, mas de um embate entre modelos agrícolas. Existe uma agricultura que é centrada na produção de gêneros alimentícios, que prima pela satisfação das necessidades familiares e que garante a conservação do ambiente: a agricultura camponesa. Há outra forma de exploração no campo, que privilegia o lucro, a acumulação de capital nas mãos de um pequeno grupo social através da produção de commodities para exportação ou simplesmente pela espoliação da renda da terra por serem proprietários fundiários: o agronegócio. Este modelo se sustenta na exaustão dos recursos naturais e sociais, através da destruição da natureza e utilização de trabalho análogo as condições de escravidão.

A agricultura camponesa vem a séculos mostrando que é possível ter uma produção agrícola em sintonia com a conservação da natureza. Aliás, os camponeses entendem que o equilíbrio e a preservação da natureza são essenciais para a garantia de uma boa produção que venha a suprir as demandas familiares. É preciso entender que se nos dias atuais existe algo preservado em termos ambientais, quem conservou foram as populações camponesas.

Já o agronegócio/latifúndio é quem mais tem degradado e destruído a flora e a fauna do país, não apenas pelo desmatamento, mas também pela intoxicação dos solos, das águas e do ar com aquilo que denominam “defensivos” agrícolas. Na verdade, trata-se de venenos altamente nocivos para o ambiente e para a população em geral. Tudo isso em virtude da acumulação sem limites de capital. Portanto, o latifúndio e o agronegócio são os verdadeiros devastadores e fazem de tudo para destroçar o Código Florestal e continuar a destruir sem piedade.

Por isso, acreditamos que não se trata de desconhecimento dos relatores da atual proposta de alteração do Código Florestal sobre as características das coberturas vegetais do país; trata-se de um embate entre projetos de desenvolvimento. O projeto da destruição e busca pelo lucro a todo custo que conta com presença massiva de seguidores no Planalto Central versus o da preservação e satisfação das necessidades básicas relegando um ambiente preservado para as gerações futuras, que infelizmente é pouco representado nas esferas políticas “oficiais”.

Vários segmentos da sociedade têm se manifestado sobre a reformulação do Código Florestal. Organizações, movimentos sociais, ONGs, associações, entidades, intelectuais, artistas, professores, geógrafos, biólogos, jornalistas, economistas, dentre outros tem dado sua contribuição ao debate e não raramente defendido que o substitutivo traz enormes prejuízos para o já degradado ambiente natural brasileiro.

Por fim, reafirma-se que o texto substitutivo atenta violentamente contra o ambiente natural do país, entrega as florestas e demais coberturas vegetais brasileiras (bens da sociedade pertencendo a todos e a cada cidadão brasileiro indistintamente), aos interesses vorazes dos grandes latifundiários e a expansão desenfreada do agronegócio sustentada por empresas transnacionais do setor agropecuário e agroquímico.

Para tanto, há a necessidade de a sociedade participar ativamente deste debate tão importante para o futuro do país, questionando: Por que no mundo inteiro se fala em preservação ambiental e no Brasil falamos em facilitação da destruição da natureza? É preciso compreender os interesses que estão ocultos no jogo político.

Disponível em: www.fct.unesp.br/nera

*Doutorando em Geografia pela UNESP/FCT – Presidente Prudente
Pesquisador do NERA e GEOLUTAS

 

 

Novembro 29, 2011

MST perde Egídio Brunetto, companheiro de todas as frentes de batalha!

28 de novembro de 2011

Da Direção Nacional do MST

É com um sentimento profundo de tristeza e de grande dor, que informamos a perda do companheiro Egídio Brunetto, dirigente do MST que atuava no Mato Grosso do Sul, em um acidente na rodovia MS 164 (que liga o município de Maracaju a Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai), na tarde desta segunda-feira (28/11), quando ele se dirigia ao assentamento Itamaraty.

Egídio foi um ser humano muito especial. Filho de camponeses sem terra, trabalhou desde a infância na roça e, sempre muito esperto e indignado, envolveu-se com a pastoral da terra na região de Xanxerê, em Santa Catarina, e se transformou em militante do MST desde a década de 80.

Bogo: “Egídio ao passar quis ser somente humano”

Desde então, contribuiu com a organização do Movimento em todo o país e com as lutas dos trabalhadores rurais pela terra, pela Reforma Agrária e por transformações sociais.  

Militante exemplar, preocupava-se sempre com os cuidados de cada militante. Foi uma pessoa generosa e solidária com todos. 

Egídio empunhou a bandeira do internacionalismo e da solidariedade às luta dos povos e da classe trabalhadora, responsável pela relação do Movimento com organizações camponesas na América Latina e no mundo, sendo fundador da Via Campesina Internacional (na foto, Evo Morales e Egídio)

O MST e o povo brasileiro perdem um grande companheiro e um ser humano exemplar, um guerreiro Sem Terra que andou pelo mundo, construindo alianças com a classe trabalhadora.

O grande companheiro Egídio nos deixa muitos e belos exemplos de vida, que nos motivarão a seguir o seu legado.

Com muita dor, 
Direção Nacional do MST

Velório

O velório será nesta terça-feira (29/11), o dia inteiro, em Campo Grande, na secretaria do MST. O endereço é rua Juruema, 309, bairro Taquarucu;

No fim da tarde, o corpo será levado de avião para Chapecó, em Santa Catarina. 

À noite, o velório será na Cooperunião, em Dionisio Cerqueira. O enterro será na manhã do dia 30.

Abaixo, leia texto de Egídio Brunetto, na edição do Jornal Sem Terra número 289, de janeiro/fevereiro de 2009.

Sobre o internacionalismo e o MST
 

Por Egídio Brunetto
MST/MS

E difícil e também muito bonito aprofundar o tema do internacionalismo. Tentar resgatar sua essência e principalmente desenvolver uma prática consequente cotidiana. Especialmente agora que completamos um quarto de século e que já vivemos a fase do auge revolucionário, o descenso do socialismo com o ascenso do neoliberalismo, e agora, uma grande crise do capitalismo. 

O MST foi desenvolvendo esta prática a partir das lutas internacionais e das contradições da luta de classe também no Brasil. Sem esta prática e este princípio, nós não teríamos a força de hoje.

A prática da solidariedade e do internacionalismo proletário está muito ligada ao surgimento das teorias políticas revolucionárias, que vão dando origem às teorias com caráter classista. Com o surgimento do marxismo, vamos entendendo que nós vivemos em sociedades de classes antagônicas, e isso significa viver em uma luta permanente. 

Sempre houve grandes lutas locais nacionais entre povos e muitos exemplos de lutadores que foram defender outros povos em outros países, mas no período mais recente, em que o tema do internacionalismo ganha forte caráter, na medida em que se chega à conclusão que a burguesia é a mesma em toda parte do mundo, é que os trabalhadores teriam que se unir e lutar contra o inimigo comum. 

O surgimento da consigna histórica “Operários do mundo uni-vos!”, sintetiza a estratégia da classe a nível mundial e remete às lutas futuras a construção do projeto de libertação da classe.
O surgimento da internacional socialista foi uma das mais importantes ações da classe trabalhadora a nível mundial. E a internacional, o hino da classe trabalhadora, vai ser parte importante da mística dos povos na luta e na unidade. 

Solidariedade e lutas

No final dos anos 70 e início dos anos 80, há um movimento muito bonito da lutas internacionais. Temos o exemplo da revolução sandinista, as resistências contra as ditaduras na América Latina, o fortalecimento do socialismo no leste europeu, a vitória do povo do Vietnã contra os EUA. Na África, depois de mais de 500 anos, as colônias foram derrotadas pelos povos africanos. A exemplo também, a luta do povo sul africano contra o apartheid e pela libertação do Mandela, a resistência do povo palestino, e mais recentemente, a luta pela independência no Timor Leste. 

O grande exemplo aqui na América Latina é Cuba. Com sua experiência de socialismo de ensinamentos próprios, tem como importante marca de seu internacionalismo a solidariedade com outros povos. Sem igual na história recente! Só na África foram enviados mais de 300 mil militantes, entre os quais Che Guevara e sua filha Aleida Guevara. Destes, mais de 2 mil perderam a vida lutando em defesa do povo africano contra os colonizadores, o imperialismo e o apartheid. 

Centenas de estudantes de países pobres tiveram a oportunidade de se formar graças a solidariedade do povo e do governo cubano. São mais de 30 mil médicos em várias partes do mundo. 

Portanto, o MST é fruto deste período rico da história da humanidade e procurou aprender os ensinamentos importantes das lutas destes povos. 

O MST – sempre com muitas limitações e muita humildade – buscou contribuir na construção de instrumentos capazes de ajudar a articular as lutas continentais e internacionais: o movimento continental dos 500 anos de resistência indígena negra e popular, a organização da CLOC (Coordenadora Latino-americana de Organizações do Campo), a Via Campesina, o Fórum Social Mundial, a luta contra a Alca e os vários comitês de solidariedades espalhados pelo mundo. 

Nestes anos, foram mais de 4 mil pessoas que viajaram para os outros países para aprender, levar solidariedade, lutar lado a lado com outros povos, trocar experiências e levar nosso modesto aporte a partir da nossa experiências. Mas o mais importante foi desenvolver em nossa base e com os nossos militantes, milhares de ações no Brasil e em outras terras, a prática em receber de braços abertos exilados peruanos, colombianos, chilenos e de outros continentes que tinham que fugir para não ser mortos.

E com estas ações e gestos, o MST também recebeu, além do reconhecimento público, milhares de ações em outros países em defesa do Movimento. Centenas de visitas para trazer apoio e solidariedade aos nossos militantes e às nossas lutas – que foram fundamentais em nossa construção.

Neste período, os desafios continuam. Nossos militantes vão construindo uma consciência e uma prática que articule as lutas locais com as lutas internacionais, na construção de instrumentos com caráter e estruturas internacionais. 

Os 25 anos do nosso Movimento nos exige uma ação internacional mais forte na construção de alternativas revolucionárias socialistas e de exemplo da nossa militância no trabalho, no estudo, na solidariedade, na indignação e fortalecer e construir a ALBA como alternativa dos povos. 

Significa a defesa de valores que o mundo vai esquecendo como a defesa da natureza, da biodiversidade, dos alimentos, das sementes, da soberania alimentar como um princípio, da defesa do socialismo como um modo de produção capaz de resolver os problemas da humanidade. Entender e defender que a revolução é o instrumento da humanidade para as grandes mudanças. Entender e praticar o espírito de sacrifício sem o qual não haverão as grandes mudanças. Estar atentos como organização para estar nas grandes lutas e levar solidariedade aos que precisam urgentemente dela.

Fortalecer o intercâmbio com outros continentes e dar uma maior prioridade a África. Estar preocupado permanentemente com a violência que ocorre no nosso continente, onde a todo o momento, o latifúndio continua matando, prendendo e expulsando os camponeses, os indígenas. O internacionalismo também é fazer a luta e a resistência onde a gente mora e vive. 

Ser solidário com os governos progressistas, mas também ser críticos com os desvios e ser eternamente gratos e solidários com o povo cubano.

“Operários do mundo uni-vos!”

Globalizemos a luta globalizemos a esperança.

Novembro 29, 2011

IV Estágio Interdisplinar de Vivência do Sergipe

IV Estágio Interdisplinar de Vivência do Sergipe

“Olá companheirada desse Brasil!
Finalmente estão abertas as inscrições pro IV EIV Sergipe – Estágio Interdisciplinar de Vivência em Áreas de Reforma Agrária e Agricultura Camponesa de Sergipe – que acontecerá de 7 a 27 de janeiro/2012!
Aqui em Sergipe viemos num processo de construção desse IV EIV bastante maduro e instigador! Acreditamos no EIV como uma ferramenta indispensável no despertar da necessidade de formação política de um militante, e que aponta pra organização estudantil como um caminho central desse processo.
Dentro do processo de construção do EIV a parceria com os Movimentos Sociais Populares é um princípio por termos como horizonte a construção e fortalecimento do Campo do Projeto Popular. Assim, nesse IV EIV, estamos em parceria com o MST – Movimentos dos Trabalhadores Rurais sem Terra – e o MPA – Movimentos dos Pequenos Agricultores, que além da contribuição na construção, proporcionarão, a partir das vivências em suas áreas, o contato do estudante com a realidade do trabalhador rural, unindo forças para nossa luta!

É importante que as executivas de curso e coletivos organizados indiquem militantes para serem estagiários, pois estes serão priorizados. Os outros estudantes podem falar com a gente caso tenham qualquer dúvida.
Lembramos que as inscrições se darão somente até dia 07 de dezembro!

Segue em anexo

(http://www.4shared.com/document/J68iqsQv/FICHA_DE_INSCRIO__1_.html?) a ficha que deverá ser enviada, após preenchida, para o email: EIVSERGIPE@GMAIL.COM

É com muita expectativa que esperamos vocês aqui!
Abraços sergipanos de luta!

Novembro 29, 2011

VIII Estágio Interdisciplinar de Vivências do Rio Janeiro – 2012

VIII Estágio Interdisciplinar de Vivências do  Rio Janeiro - 2012

O Estágio Interdisciplinar de Vivência (EIV) em Áreas de Assentamentos e Acampamentos Rurais do Estado do Rio de Janeiro é uma experiência em que @s participantes têm a possibilidade de conhecer e vivenciar a realidade da luta pela Reforma Agrária no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Essa experiência visa aproximar @s estudantes da realidade do campo e dos movimentos sociais, problematizando a questão agrária brasileira e refletindo sobre o papel dos sujeitos envolvidos.

Novembro 28, 2011

IX Estágio Interdisciplinar de Vivências Santa Maria-RS

IX Estágio Interdisciplinar de Vivências Santa Maria-RS

O Estágio interdisciplinar de Vivências (EIV) é um espaço em que os estudantes das diversas áreas do conhecimento têm a oportunidade de aprender, conhecer e vivenciar o cotidiano das comunidades rurais, agricultores familiares e famílias assentadas. O EIV desde seu surgimento na década de 80 surge com o objetivo de sensibilizar e propiciar aos estudantes pensarem a sociedade de forma crítica a fim de que intervenham nesta enquanto estudantes e enquanto sujeitos atuantes em sua formação profissional. o IX EIV Santa Maria ocorre através da articulação com o Movimento Estudantil e os Movimentos Sociais Populares do Campo para que de forma coletiva consigam refletir e avançar para uma sociedade justa e igualitária.
O IX EIV Santa Maria ocorre de 01 a 22 de Fevereiro de 2012.
Incrições pelo blog eivsantamaria.wordpress.com
até 30 Dez de 2011.

Esperamos todas e todos no “IX EIV Santa Maria-RS” no caloroso verão do coração do Rio Grande do Sul!

Novembro 28, 2011

Estágio Interdisciplinar de Vivências de Santa Catarina 2012

Estágio Interdisciplinar de Vivências de Santa Catarina 2012

O Estágio Interdisciplinar de vivência é uma atividade que ocorre desde 1989, em vários estados do Brasil, tendo como intuito fortalecer as lutas entre o campo e a cidade, auxiliando na construção de outro modelo desenvolvimento para o espaço agrário brasileiro.Em Santa Catarina existe desde 2006, tendo sua 6ª edição no início deste ano no município de Catanduvas.
Saída 14 jan, retorno 4 fev. Participem!

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