Semana agitada dos movimentos sociais

Apesar da fragilidade em que se encontram os movimentos continuam sendo uma referência importante na consciência crítica dos modelos em curso na sociedade e, ao mesmo tempo, estão na dianteira do processo civilizatório, ou seja, são eles que chamam a atenção para os temas a serem enfrentados, como os destacados.Brasilia

Nessa perspectiva é que destacamos eventos importantes acontecidos nos últimos dias: A realização do encontro nacional da Assembleia Popular, a assembleia nacional da Coordenação dos Movimentos Sociais(CMS).

Essas iniciativas organizadas pelo movimento social tiveram como conteúdo principal formular propostas para um Projeto para o Brasil. Cabe, entretanto, uma matização desses encontros e articulações. O primeiro – Assembleia Popular – hegemonizado pelas pastorais sociais e seguimento da dinâmica das Semanas Sociais, tem tido a preocupação de manter uma mínima vida orgânica nas bases, nos bairros, nas comunidades. Está convencido de que o processo de transformação social será resultado da ampliação da consciência popular e da gestação desde a base de experiências alternativas que manifestam que uma outra sociedade é possível.

Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), por sua vez, é bastante diferenciada nas diferentes regiões do país – propõem-se ser uma articulação dos movimentos sociais com o objetivo de garantir o mínimo de unidade nas lutas sociais e coordenar o calendário nacional de lutas. Desempenha um papel importante de superação das lutas corporativas. Participam da CMS, o movimento popular, sindical e estudantil.

A assembleia da CMS realizada nessa semana teve, entretanto, uma característica específica que pode ter desequilibrado um pouco a sua “composição” – a grande participação de sindicalistas. O número surpreendente de pessoas, próximo a três mil pessoas, deve-se ao fato da Assembleia da CMS ter sido realizada às vésperas do Encontro Nacional da Classe Trabalhadora. Hegemonizada pelos sindicalistas, a Assembleia da CMS virou, sobretudo, palanque eleitoral para a candidata Dilma Rousseff. Várias lideranças nacionais se revezaram no microfone para defender a continuidade do projeto nacional desenvolvimentista.

A explícita defesa de uma candidatura, mesmo condicionada a um programa, afasta-se de uma das características mais importantes que a CMS cultiva: a autonomia. Nessa perspectiva, a assembleia da CMS desse ano perdeu uma ótima oportunidade, a de reafirmar o caráter autônomo dos movimentos sociais e deixar bem claro quais são os projetos que defende para o Brasil. O programa do movimento social foi ofuscado pela agitação eleitoral.

retirado de “Conjuntura da Semana. Uma leitura das ‘Notícias do Dia’ do IHU (Instituto Humanitas Unisinos) de 26 de maio a 02 de junho de 2010″

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Sítio da Assembléia Popular, com detalhes do último encontro nacional: http://www.assembleiapopular.org/

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Vídeo da Abertura do encontro nacional

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