Nossa seleção abrasileira e de brameiros

No esperado 11 de maio, dia da lista final de jogadores, os novos tempos prometidos mostraram sua face oculta. Dunga fez uma convocação ultraconservadora, ignorou os novos talentos, levou jogadores em péssima fase sob a alegação de serem parte do grupo, comprometidos, e abriu fogo contra a imprensa e meio mundo.

Lula presenteia Obama com a camisa da seleção, o grande "símbolo nacional", "orgulho do país".

Acostumados a acusar duas ou três teimosias dos técnicos ao longo das copas, deparamo-nos com uma lista em que queríamos trocar uns 10. Doni, Julio Baptista e Kleberson passaram o ano na reserva de seus times e foram lembrados. Michel Bastos e Gilberto foram chamados para a lateral esquerda sem atuarem na posição em seus respectivos clubes – Michel é meia-direita no Lyon (FRA)! Apenas quatro atacantes e nenhuma opção para Kaká.

Anunciado o atentando, Dunga vociferou contra tudo e todos, ressaltando que aquele grupo de escolhidos era o dos jogadores que haviam ‘fechado’ com ele, estavam compromissados e tinham idéia da importância de vestir a camisa da seleção. E que por coerência e lealdade deveriam ser mantidos, a despeito do que se passa em campo. Foi talvez a única ocasião em que um treinador (e a entrevista durou quase duas horas) não se apoiou, em momento algum, em argumentos técnicos para justificar suas escolhas.

Como se não bastasse, seu auxiliar-pastor Jorginho rompeu o protocolo da coletiva, tomou a palavra e disparou um inesquecível sermão de brasilidade. Exclamou que somos todos brasileiros, que todos devem torcer e ser patriotas e que a imprensa deve ter pacto de sangue com o time, pois um título traria benefícios a todos, especialmente a profissionais que trabalham ligados à área. Fora isso, é claro que podemos ser críticos.

Assim, subentendia-se que só aqueles iluminados eleitos eram seres humanos capazes de se sacrificar pela seleção e entrar em campo imbuídos do espírito necessário a uma grande guerra. Sim, pois a Copa do Mundo é batalha, como atesta um famigerado comercial de TV, que transforma brasileiros de cerveja na mão em cavaleiros medievais em busca do hexa.

Com o tetra ainda vivo em si, Dunga bancou até o fim a queda de braço com seus detratores. Montou um time à sua imagem e semelhança, ignorando outras variantes de futebol. Escolheu jogadores, se não brilhantes, esforçados, que ‘compraram’ a idéia. Alguns, até por saberem da sorte que têm de integrar a seleção, se tornaram devotos dos ditames dunguistas. Os melhores, por sua vez, são disciplinados e exemplares. Não há espaço para transgressão. Talvez não houvesse para Garrincha. Ensimesmado em suas vivências e convicções, Dunga prefere morrer com suas idéias a viver com a dos outros. Não se pode duvidar de quem levanta uma taça de Copa do Mundo e se lembra em primeiro lugar de seus críticos.

E assim parte a seleção para a Copa do Mundo, carregando todos aqueles sentimentos rememorados nas primeiras linhas. Com um técnico limítrofe e recalcado, um pastor e o novo livro de Augusto Cury na concentração, patrocinadores fazendo brasileiros trocarem o samba por armaduras e lanças das Cruzadas e Don Teixeirone no comando de tudo (até 2014). E exigem que sejamos patriotas.

Pode deixar Dunga, pois o pior é que seremos mesmo. Temos direito, afinal, esperamos quatro anos para ter gosto deste país. Esse ópio é do bom e na Copa estaremos todos alucinados em busca do hexa.

Gabriel Brito é jornalista.

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