O discurso do agronegócio e a falácia da propaganda de sementes transgênicas

28 de março de 2012


Por José Coutinho Júnior
Da Página do MST


“De grão em grão, os transgênicos estão invadindo o campo brasileiro. Juntos, a soja e o milho são os grãos mais cultivados no país, e é possível afirmar que as sementes geneticamente modificadas desses dois produtos já são responsáveis por quase um terço da renda bruta gerada na lavoura — R$ 57,9 bilhões (30,8%) do Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 188,2 bilhões em 2011, conforme dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)”.

Esse pequeno trecho da matéria “Transgênico responde por 30,7% da renda no campo”, publicada no Correio Braziliense, em 19 de março, mostra o discurso do agronegóco, adotado pela grande imprensa, de que os transgênicos são a melhor forma de produzir comida em grande quantidade.

“Os transgênicos têm uma representação significativa na nossa economia. pois estão ligados àscommodities, como soja e milho, que são os transgênicos mais plantados no Brasil”, avalia Gabriel Fernandes, da Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (ASPTA).

As plantações de soja e milho transgênicos, de acordo com a reportagem, representam 82,7% e 64,9% do total da produção nacional das culturas, respectivamente.

Para Gerson Teixeira, ex-presidente da Associação Brasileira de Reforma
Agrária (Abra) e integrante do núcleo agrário do PT, há também uma dimensão política para a importância dada hoje aos transgênicos.

“A bancada ruralista na maior parte da sua ação não defende a agricultura, mas a indústria do agronegócio. A liberação total da soja, que aconteceu no governo Lula, foi facilitada pelas circunstâncias da posse do presidente, mas principalmente por causa do lobby feito pela Monsanto em conjunto com os ruralistas”.

A ideia de que os transgênicos ocupam uma área grande de plantio no mundo todo também é falsa. Segundo a matéria do Correio Brasiliense, cinco países concentram a maior parte da produção de transgênicos (Estados Unidos, Brasil, Argentina, Índia, Canadá e China), totalizando ao todo 140 milhões de hectares.

Para Fernandes, “o próprio dado da reportagem mostra que é um total pequeno, além do fato de só cinco países deterem a maior parte da produção. Com isso não se pode afirmar que os transgênicos são uma forma mundial de plantio”.

Agrotóxicos

Além disso, a reportagem omite que os fazendeiros que compram transgênicos devem pagar royalties às transnacionais, que detêm patentes das sementes.

Não explicam também que o diferencial dos organismos geneticamente modificados é que resistem aos agrotóxicos específicos da empresa que vende a semente, criando uma relação de monopólio de sementes por parte da empresa.

Segundo Fernandes, os efeitos dos agrotóxicos já estão comprovados e vão desde enjôos até câncer.

“É um absurdo sermos o país que mais usa agrotóxicos apesar de termos uma área de plantio menor que os Estados Unidos. Mais nocivo do que os agrotóxicos para o país e para a população, no entanto, é a bancada ruralista, que está preocupada em defender os interesses das empresas”, acusa Gerson Teixeira.

da página do MST. http://www.mst.org.br/node/13095

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