Marcha das Vadias e a FEAB com isso?

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Em janeiro de 2011, a Universidade de Toronto registrou muitos casos de abuso sexual em mulheres no Campus. Depois dos acontecimentos, um policial orientou como medida de segurança que “mulheres evitassem se vestirem como vadias (slut, do inglês) para não serem vítimas”. Depois disso, 3.000 pessoas foram às ruas no Canadá protestar contra a culpabilização de mulheres envolvidas em episódios de violência sexual. Assim, nasceu o movimento internacional Slut Walk (em português Marcha das Vadias) que rapidamente se espalhou por dezenas de cidades no mundo. O movimento é feito por mulheres e homens feministas que buscam a igualdade de gênero. Ser chamada de vadia é uma condição machista. Umas das bandeiras da Feab é o gênero e há um tempo que viemos construindo espaços mais democráticos de autonomia das mulheres, principalmente trazendo o debate do que é está construção social do gênero de mulher e de homem, do sistema opressor do patriarcado ou sistema do pai que rege a maioria das relações sociais, e do feminismo que não é sinônimo de um sistema como o machismo de um superior a outro, mas sim da busca de igualdade entre homens e mulheres, entendermos que enquanto entidade que busca as demandas dos estudantes de agronomia, essa é sim uma de nossas demandas bem concretas, uma vez que ainda nas salas de aulas nós mulheres somos submetidas a professores extremamente machistas, que tentam naturalizar que a profissão é masculina e ponto, e então temos que nos masculinizar para seguir a profissão, e a desistências de mulheres ainda é uma das mais altas nos cursos. Sabemos que isto não é natural, e a presença feminina nessa profissão “tipicamente” masculina traz consigo várias perspectivas de mudança e de transformação dos estereótipos de gênero, e essa presença faz com que a configuração das relações de sexo no interior do grupo esteja em movimento. A luta feminista a qual a feab é solidária e se coloca junto, sempre apresentou um projeto de transformação da sociedade, inserindo-se em movimentos históricos diversos, e nunca foi uma luta cor-de-rosa, feita por mulheres frágeis e passivas.

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As escolas de agronomia no Brasil e poderia se dizer no mundo, foram direcionadas para o público de homens, mesmo que na história da agricultura observemos que sempre a mulher teve papel fundamental. Seguindo um modelo norte americano clássico de escola de agronomia no qual eram criados juntamente os cursos de economia doméstica direcionados para mulheres, nem precisa explicar os motivos desses dois cursos juntos, heterorregularidade da sociedade. Se o primeiro curso de “agronomia” do imperial Instituto Agrícola da Bahia, hoje Universidade Federal do Recôncavo do Bahia, em Cruz das Almas/BA foi criado ali por 1875, escola que sedia nosso 55ª Congresso deste ano de 2012, dá para se ver que é ainda mais recente a inserção das mulheres nos cursos de agronomia nas demais escolas que vieram posteriormente, e em nossa federação que este ano completa 40 anos também é, mas com muitas contribuições importantes de várias companheiras que por aqui passaram, alguns depoimentos como o da Vera Lúcia, da Milena estão no blog dos 40 anos http://feab40anos.blogspot.com.br/. Neste ano realizamos quatro Encontros de Agroecologia e um de Estudantes de Agronomia, quando debatemos nos encontros como construir essa ciência da Agroecologia junto com os camponeses, o debate passou pelas questões das relações sociais aos quais estes estão submetidos. Para ser construída essa ciência necessita de uma relação de emancipação dos sujeitos frente às empresas multinacionais que controlam todo o mercado do agronegócio e impõe seus pacotes tecnológicos, assim como relação de autonomia entre os próprios camponeses que são o pilar para essa construção, já que são os que praticam está ciência. As unidades camponesas são baseadas em famílias assim como quase que a totalidade da sociedade onde vivemos, e é nesse espaço onde a violência contra a mulher “geralmente” ocorre, no Brasil uma mulher a cada cinco minutos é espancada, isso é um alerta a essa triste realidade que enfrentamos, não que no campo a violência contra mulher seja maior que no meio urbano, mas que este é um desafio a ser superado para emancipação dos sujeitos para a construção da agroecologia também. Queremos propor outro modo de se fazer agricultura baseada na ciência agroecológica, que só é possível em uma nova sociedade onde os sujeitos não precisem se submeter uns aos outros, trabalhadores a patrões, negros a brancos, mulheres aos homens.

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A mulherada vem protagonizando muito para dentro da federação, e ainda temos muitos desafios. Temos muitos espaços a nos apropriar mais para contribuir, o que também é um desafio para os companheiros, que muitas vezes não abrem espaço para isso e acaba tomando a frente de alguns espaços “naturalmente”, por “acharem” que outr@s não dariam conta de tal, a ess@s um alerta companheir@s porque isso também é reprodução da sociedade vigente, e perceber isso e se colocar de outra forma é necessário para nosso avanço enquanto federação na construção desse novo modo de ser. É uma relação de poder e abrir espaço é perder poder também, por isso esse desafio tão grande e com o qual devemos ser vigilantes em todos os momentos, se entendemos que este sistema do patriarcado não oprime somente as mulheres, mas também a todos, é tarefa a cada um de nós lutarmos para o fim desse sistema. Aos que estão conhecendo a federação, a questão da luta pela igualdade entre os gêneros também é uma demanda real dos estudantes de agronomia, por exemplo, desde 1900 e borrachinha nós mulheres recebíamos nossos diplomas com o gênero masculino, isso mesmo nada de Engenheira Agrônoma, e olha que a inserção da mulher nas universidades e mercado de trabalho é sempre propagandeada como a igualdade já conquistada, foi uma avanço com certeza, mas não é o fim em si, temos ainda muitas necessidades e vitórias a serem conquistadas para essa tal igualdade. Enquanto entidade que organiza os estudantes de agronomia que abre espaço para a construção conjunta a qual não acontece nas salas de aula, já que o modelo é o da educação bancária que estamos submetidos, a federação possibilita uma visão crítica a cerca da formação profissional dos agronom@s; da universidade que temos suas políticas, organização e o papel que a educação vem cumprindo; que entende que vivemos em uma sociedade dividida em classes que gera muitas contradições como o extermínio da juventude, exclusão e a miséria; posicionamos-nos ao lado da classe trabalhadora por uma sociedade onde o projeto seja não mais o de submissão de uns pelos outros, dos ricos e dos pobres, mas uma dos iguais.ImagemImagem

A marcha das vadias foi um espaço onde algumas contradições desta sociedade foram gritadas pelas ruas “Ame não force”, “o corpo é meu, as regras são minhas” “isto não é sobre sexo, é sobre violência” “não é não”.  Todos os presentes nas marchas que ocorreram pelo Brasil são uns errados, nenhum daqueles certo a este sistema opressor que estamos submetidos, nenhum certo a está sociedade doente que vivemos, onde os camponeses são expulsos de suas terras, outros nem a elas tem acesso mesmo a elas tendo o direito, onde a violência contra a mulher está em índices tão altos que poderia ser classificada como calamidade pública, onde o machismo é tão comum que sair às ruas e se sentir mutilada seja por olhares, por falas ou até mesmo pela ação de um estupro é corriqueiro. Muito do que engasga em nossas gargantas, de nós militantes feministas, de mulheres que ainda não se colocam como feministas mas sentem a opressão, de homens que sentem também cada vez mais a opressão deste sistema da heterorregularidade e aos outr@s que têm consciência disto, a marcha foi um pedido que caminhou por muitas ruas desse Brasil a fora, pedindo a tod@s que reflitam, que pelo menos pensem sobre essa realidade. Nossa bandeira azul e agora algumas roxas (azul+rosa= roxo que significando igualdade) que nossa Federação utiliza, têm mais sentido de ser colocado no meio de um grupo de pessoas, estudantes/trabalhadores ou ser carregada por nós, quando trás junto este debate, porque se a injustiça/desigualdade nos faz tremer de indignação então somos companheir@s, e queremos construir uma sociedade sem opressões, sem explorações e sem o império do patriarcado.

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                   Que a luta Feminista seja a de todos nós!

Evelise Martins

Coordenação Nacional da FEAB

gestão UFSM 2011-2012

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