Cinco anos do assassinato de Keno – Sem-terra morto por milícia contratada pela Syngenta recebe homenagem no Paraná.

 

     

      Keno foi morto no dia 21 de outubro de 2007 – Foto: Comunicação do MST

Em memória dos cinco anos do assassinato de Valmir Mota de Oliveira, o Keno, completados no dia 21 de outubro, os sem-terra realizaram, nesta segunda-feira (22), um ato no Centro de Ensino e Pesquisa em Agroecologia Valmir Mota de Oliveira, com acolhida das caravanas, mística de abertura em homenagem ao trabalhador e à luta dos camponeses contra a Syngenta.

Na sequência, aconteceu o ato político com autoridades, entidades amigas e representantes da Via Campesina reforçando o compromisso firmado com o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) de dar destino público e de interesse do povo trabalhador para aquele espaço se tornar um Centro de Ensino e Pesquisa em Agroecologia.

 

Acampamento Terra Livre

A partir de março de 2006 durante o COP 8 e MOP 3, a Via Campesina iniciou uma importante luta contra a transnacional Syngenta Seeds, que desenvolvia pesquisas ilegais em experimentos de soja e milho transgênicos na zona de amortecimento do Parque Nacional do Iguaçu – prática proibida pela Lei de Biossegurança.

Os camponeses da Via Campesina ocuparam a área da empresa e organizaram a resistência por meio do acampamento permanente Terra Livre. O governo do estado do Paraná atuou com uma posição política firme, e a Via Campesina organizou ações de pressão e solidariedade em todos os continentes.

No dia 21 de outubro de 2007, a Syngenta contratou uma milícia fortemente armada que atacou as famílias no acampamento e executou o trabalhador Valmir Mota de Oliveira – Keno, militante do MST e da Via Campesina, além de deixar várias pessoas gravemente feridas.

Valmir Mota de Oliveira, o Keno, tinha 34 anos. Do Paraná para o Brasil, Keno organizou brigadas e acampamentos pelos estados onde passou. No Sergipe, no Maranhão, na Bahia, sua vida era na estrada. Viveu 10 anos em Brasília, onde conheceu sua esposa, Íris, com quem teve 2 dos seus 3 filhos.

Seus pais, João Mota de Oliveira e Evanir de Oliveira, que estão há 23 anos no MST, participaram de uma ocupação pela primeira vez em 1985, em Juvenópolis (PR). Na época, Keno tinha 10 anos de idade e desde aquele dia sentiu-se parte do movimento. Com 18 anos partiu para a militância em outros estados. Retornou ao Paraná 10 anos depois.

Em março de 2006, o Movimento dos Trabalhadores juntamente com a Via Campesina, ocuparam a Fazenda da Multinacional Syngenta Seeds, como forma de denunciar os experimentos que a empresa vinha fazendo com sementes geneticamente modificadas dentro da faixa de amortecimento do Parque Nacional do Iguaçu, patrimônio natural da humanidade, em Santa Tereza do Oeste (PR). Logo após a ocupação, o Ibama multou a Syngenta em R$ 1 milhão justamente por ela descumprir a lei de preservação ambiental.

Os camponeses que estavam na área começaram a plantar alimentos para tentar recuperar os danos dos experimentos. Ficaram um tempo na fazenda, sofreram despejo e acamparam às margens da BR, até o governo do estado decretar que a área deveria ser de utilidade pública.

Após o decreto, os trabalhadores ocupam novamente, porém não passa muito tempo e sofrem mais um despejo, e acabam montando acampamento no Assentamento Olga Benário, que fica ao lado. Nessa época, Keno e outras lideranças estavam sendo ameaçados por milicias da Sociedade Rural do Oeste do Paraná e pela Syngenta Seeds.

 

Lembranças

Keno era uma pessoa que valorizava as famílias na luta, que gostava de ver homens e mulheres na militância. Era um companheiro que defendia a organicidade.”

Célia Lourenço- Na época militava junto com Keno na Frente de Massa.

 

Dois companheiros que eu admiro muito é o Keno e o Egídio, pois na militância sempre tiveram grande preocupação com os militantes. O Keno construía um espaço para as pessoas militar. Sua tarefa como militante sempre foi em 1° lugar”

Ireno Prochnow, militante, conheceu Keno desde a adolescência.

 

O Keno tinha uma atenção com a juventude, na região de Cascavel foi onde a juventude mais se inseriu. Ele acreditava na força da juventude, sempre tinha tempo para ouvir as pessoas”

Sandra Scheeren, militante, conhecia o Keno desde 2003 na ocupação da Fazenda Cajati.

 

FONTE: http://www.brasildefato.com.br/node/10970

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