Reflexões de uma consciência afrodescendente

Contribuição ao 20 de novembro

NTP Juventude, cultura, valores, raça e etnia

                                                                        Cruz das Almas gestão 2012-2013

“Gritos a tomada de consciência”

Nada estanca o sangue que jorrou,
Com os açoites da chibata do feitor,
De que adianta saborear de uma falsa liberdade
Se ainda segrega-se pela cor da pele uma sociedade?
Quantos vinte de novembro temos que esperar,
Para essa consciência se formar?
Triste daqueles que acreditam que a liberdade pode ser cedida,
Pois ela é um bem que não se ganha, se conquista.
É sob as marcas do passado que perduraram até agora,
Que a afrodescendência construiu sua própria história,
Descendência que segue presente dentro de grande parte de nós,
Camuflada, amordaçada, estereotipada e com pouca voz…
Voz essa inibida pelo preconceito e pela discriminação,

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Que ecoam disfarçadas pela democracia racial da exclusão,
Demonizando terreiros, destruindo quilombos, criminalizando favelas,
Alimentando a estrutura que desrespeita culturas e promove as guerras.
Anos se passaram e ainda parece normalidade,
Ver as diferenças transformado-se em desigualdades,
A quem deve-se reclamar o direito,
De sair pelas ruas e não ser considerado suspeito?
Até quando a cor da pele vai contar mais?
Até onde os pré-julgamentos definiram as manchetes dos jornais?
Quando houver consciência que respeite a existência do índio, do afro e do branco,
Entenderemos as diversas cores, religiões e etnias tupi-guaranis, européias ou bantos…

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Quanto resta para entender que aqueles cujo, o navio vindo da África separou,
O Atlântico trouxe para uma terra que a outros povos juntou?
Não se trata de apagar da memória,
Toda aquela longa trajetória…
Mas é ter consciência a todo momento,
E não só no vinte de novembro,
Que o tempo tornou os sobreviventes do tráfico negreiro,
Em mulheres e homens afro-brasileiras e afro-brasileiros….

Autor: Jefferson Duarte Brandão

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2 comments

  1. Esse é o meu irmão de axé. Sou suspeito em falar dele mas ele é um cara que merece todas as bençãos do mundo. O mais importante no poeta é viver o que ele transpiram numa folha de papel, Jefferson Brandão é um dos poucos alunos que conhece a nossa africanidade. Só poderia ser filho de Mãe Bárbara, viva nosso terreiro Caxuté.

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