FEAB em Luta junto aos Movimentos Sociais ocupam o Ministério de Minas e Energia

Nesta manhã de 13 de maio cerca de 500 lutadores e lutadoras do MST, MAB, MCP, FUP, LPJ, MMM, FEAB e Quilombolas ocuparam o Ministério de Minas e Energia em Brasília, protestando contra os leilões de exploração de petróleo que vão ser realizados nesta semana pelo governo e também contra a privatização de usinas hidrelétricas. A ação faz parte do conjunto de protestos contra a 11ª rodada de licitações de blocos para a exploração de petróleo e gás natural, prevista para os dias 14 e 15 de maio. 

Segundo o Correio Braziliense, estão no local desde 5h30 e só planejam parar quando conseguirem marcar uma reunião com o ministro. De acordo com os grupos, a mobilização é pacífica e não impede a entrada dos funcionários no prédio. Eles estão com faixas dizendo “O petróleo é nosso” e tentam chamar mais pessoas para apoiar o movimento com um carro de som. O ato ocorre também no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba.

Segue matéria publicada no site do MST e Brasil de Fatos:

Na manhã desta segunda-feira (13), cerca de 600 camponeses organizados pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento Camponês Popular (MCP), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), além de quilombolas e dos trabalhadores ligados à Federação Única dos Petroleiros (FUP) ocuparam o Ministério de Minas e Energia, em Brasília (DF).

A ação faz parte do conjunto de protestos contra a 11ª rodada de licitações de blocos para a exploração de petróleo e gás natural, prevista para os dias 14 e 15 de maio, e contra a privatização de diversas barragens cujas concessões vencem até 2015.

“A 11ª Rodada de Licitações é um grande retrocesso para o Brasil, que, desde 2008 havia suspendido os leilões de petróleo, após muita luta e pressão dos movimentos sociais. Ao retomar essa agenda, o governo brasileiro, equivocadamente, atende aos anseios das multinacionais, ávidas por abocanhar nossas valiosas reservas de óleo e gás”, disse João Antônio Moraes, coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP).

Além de Brasília, devem acontecer atos no Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG) e Curitiba (PR). Em São Paulo, haverá distribuição de jornais nas estações do metrô. Com as mobilizações, os manifestantes querem demarcar posição contrária à privatização dos 289 blocos de petróleo, localizados em 11 estados brasileiros. O volume a ser leiloado poderá ultrapassar 40 bilhões de barris, o que equivale a um lucro próximo a R$ 1,16 trilhões que será apropriado por empresas transnacionais do petróleo. Ao todo 64 empresas estão disputando os blocos.

“O lucro obtido com os barris de petróleo deveria ficar com o povo brasileiro. Os leilões são uma ameaça à soberania nacional. Se eles se realizarem, estaremos entregando para as transnacionais as nossas riquezas. É dinheiro que deveria ser investido na reforma agrária, no passivo com os atingidos por barragens, com as comunidades quilombolas, nos territórios indígenas, na educação”, afirmou Francisco Moura, integrante da coordenação nacional do MST.

As manifestações cobram também que o governo brasileiro não faça a licitação de 12 usinas hidrelétricas e de 23 pequenas centrais que estão encerrando seus prazos de concessão até o ano de 2015. A usina hidrelétrica Três Irmãos, localizada em Andradina, interior de São Paulo, será a primeira delas. Antes controlada pela estatal Companhia de Energia de São Paulo (CESP), a usina teve seu contrato de concessão vencido em 2011 e já está sob propriedade da União.

“A privatização das hidrelétricas também não é interessante ao povo. Se o Estado mantém a gestão, a tarifa de energia pode ser mais baixa. Para citar um exemplo, na mão de consórcios privados, a Hidrelétrica Três Irmãos, em São Paulo, repassa cada megawatt/hora por R$ 182, enquanto que a Eletrobras vende o mesmo megawatt por R$ 32 a hora”, explicou Moisés Borges, integrante do MAB.

Mais de 50 organizações assinaram uma carta que será entregue à presidenta Dilma exigindo o cancelamento do leilão do petróleo e da privatização das barragens.

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