Contribuição para o debate de estatuto: 03 FEAB: UMA ENTIDADE DE MASSAS E CONSTRUÍDA POR TODAS/OS AS/OS ESTUDANTES

FEAB: UMA ENTIDADE DE MASSAS E CONSTRUÍDA POR TODAS/OS AS/OS ESTUDANTES

Coordenação Nacional da FEAB | UFSM 2014-2015

Conhecemos a história de mais de 40 anos de nossa entidade. Ao longo destas décadas muitas lutas foram construídas e muitas conquistas obtidas. Além disso, a FEAB influenciou sobre a formação de profissionais comprometidos socialmente e na disputa de consciência dos/as estudantes em torno da necessidade de transformar a realidade.

Neste sentido, numa época de reforma de nosso Estatuto, fica o questionamento sobre a realidade atual: a FEAB deve ser de todos os estudantes de Agronomia ou somente de uma parcela de estudantes mais conscientes e politizados? Mais do que isso: a quem cabe discutir os rumos de nossa entidade? Somente aos militantes orgânicos da FEAB ou a todos os estudantes de Agronomia?

Não temos dúvida ao responder este questionamento. A FEAB deve ser uma entidade massiva, de todos/as os/as estudantes, onde todo e qualquer estudante tenha espaço para opinar. Para isso, todas/os devem ser incentivadas/os a participar, construir, opinar e deliberar sobre nossos espaços e nossa política. Mesmo aqueles/as que participam de um espaço da FEAB pela primeira vez tem muito acúmulo sobre o que vivenciam nas faculdades de Agronomia no dia a dia e tem o direito de opinar sobre que tipo de entidade querem como sua representante.

Uma entidade do ME só é legitimada perante sua base social se estiver atenta à realidade estudantil e aos problemas concretos destes estudantes. Uma entidade do ME só tem sentido de existir, quando se propõem a construir uma ampla disputa que envolva transformações reais em seus espaços de atuação.

Particularmente, temos clareza em relação aos debates políticos que a entidade deve construir e sobre seus posicionamentos em relação a diversos assuntos da sociedade. Contudo, esta construção deve se dar a partir do debate aberto das ideias e da conscientização das pessoas. Se não for desta forma, a construção da política não fará sentido.

Por isso, convidamos toda FEAB a fortalecer uma entidade democrática e que tenha seu debate político construído desde a base. Somente somando todas as vozes e construindo um movimento estudantil participativo conseguiremos avançar!

Sobre as Entidades de Base

Qual a base da Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil? A própria pergunta trás a resposta: A base somos nós, estudantes de agronomia das diferentes universidades/faculdades/institutos do país. Esses sujeitos são nosso foco de/para atuação. Mas e como estão esses estudantes hoje, organizados?

Diante deste debate, devemos reafirmar o papel dos Centros e Diretórios Acadêmicos como as entidades de base da FEAB, pois são estes os espaços referenciados e construídos pelos/as estudantes nas universidades. Cabe lembrar que a garantia da existência de espaços de organização pelos estudantes no Brasil sempre foi resultado de muita luta, por isso devemos valorizar e fortalecer estes espaços, tentando, a todo o momento, politizá-los e traze-los para a luta real dos estudantes.

Mais do que isso: devemos ter a compreensão de que a FEAB só existe se tiver “vida” na base, se tiver dinâmica de funcionamento nas escolas no dia a dia. Para isso, a articulação com estas entidades é fundamental.

É óbvio e importante, que devemos fortalecer e se articular com os grupos de agroecologia, de extensão, de apoio à reforma agrária, etc., contudo, é necessário que haja clareza do que representa cada um destes instrumentos. Muito embora, estes espaços sejam muito importantes para a nossa luta diária de transformação da universidade, eles não representam o conjunto dos/as estudantes. Este papel cabe aos CA/DA´s. São eles que perante aos espaços de decisão dentro da universidade são a “cara” dos/das estudantes.

Mas, podemos nos perguntar: e no caso dos integrantes de uma gestão de CA/DA não legitimarem a FEAB e não construírem seus espaços?

Em primeiro lugar podemos afirmar que este é um erro da direção destas entidades de base. Pois, mesmo que você não concorde com a política hegemônica na FEAB hoje, é tarefa das/os estudantes de Agronomia, sobretudo das direções de CA/DA´s, participar dos espaços da FEAB e construir/disputar sua política.

Caso isso não ocorra por parte do CA/DA, a base poderá se auto organizar para participar dos espaços e construir a política da FEAB, inclusive com peso de voz e voto. É o que ocorre hoje. (lembrando que em casos de omissão do CA/DA as/os estudantes não ficam impedidos nem mesmo de credenciar delegadas/os).

Sabemos das dificuldades vividas em algumas universidades onde existem direções de CA/DA´s que se omitem de lutar pelos direitos estudantis. Contudo, é importante que afirmemos: o afastamento destas entidades contém um risco de fundo muito grande e que envolve a concepção que temos de movimento estudantil. Contém o risco de construirmos uma FEAB pra nós mesmos.

O desafio para o próximo período é totalmente oposto: é o de construir uma FEAB com programa político e capacidade de ação para atuar massivamente na Agronomia, disputando suas diretrizes gerais e buscando transformar de fato a realidade. Nesse sentido, a aproximação com os estudantes, sejam eles organizados ou não, é fundamental para que tenhamos uma entidade que possa acumular nos desafios da transformação da Agronomia daqui pra frente.

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