Nota da FEAB sobre o Programa O Campo na Classe Média

Recentemenkatia abreute o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, comandado pela Senadora Katia Abreu, fez o lançamento de um novo Programa ministerial em Palmas/TO, denominado “O Campo na Classe Média”, que segundo a ministra, tem o objetivo de promover 400 mil produtores rurais que estão nas “Classes D e E” para a “Classe Média” rural no Brasil, em parceria com Sistema de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE, que através de seu corpo técnico será responsável pela execução da Assistência Técnica e Extensão Rural.

O programa formulado pelo MAPA, traz a lógica do difusionismo de práticas e técnicas voltadas à implementação do pacote tecnológico industrial das multinacionais, composto por sementes transgênicas, agrotóxicos e fertilizantes químicos, o mesmo usado na década de 60 e 70 no Brasil na Revolução Verde. A diretriz central do programa é inserir milhares de agricultores familiares e camponeses na lógica do agronegócio, o mesmo modelo que vem os tornando reféns das empresas pelo controle das sementes, pela determinação dos preços e pela dependência dos insumos.

Para além da difusão dos interesses das empresas multinacionais, há outro problema gravíssimo. Através do SEBRAE, os serviços de assistência técnica e extensão rural para a agricultura familiar e camponesa serão disputados com o Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA.  Na lógica difusionista de “educar” e “levar o conhecimento para quem não tem”, este programa levará consigo as diretrizes políticas programáticas do MAPA, com o objetivo de disputar ideologicamente essa base social para que ela seja pautada pelas ideias conservadoras da Ministra.

A Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil – FEAB compreende que a Ministra da Agricultura, Katia Abreu, bem como o programa “O Campo na Classe Média” não estão a favor do desenvolvimento do Brasil, pois ambos estão subordinados às elites rurais conservadoras e à burguesia internacional, que tratam o País apenas como local para exploração ambiental, de mão-de-obra, como importador de produtos com alto valor agregado e exportador de produtos primários (commodities).

Acreditamos que a saída para o rural brasileiro é o plano proposto pelos próprios agricultores familiares e camponeses, o “Plano Camponês”, que vem sendo construído em conjunto com os movimentos populares ligados à Via Campesina e apresenta três diretrizes centrais: 1) afirmação da agricultura camponesa como base da Soberania Alimentar, do abastecimento popular de alimentos de base agroecológica; 2) criação de condições materiais para a manutenção do camponês no campo, sobretudo a juventude; 3) e a garantia de alimentos de qualidade para a população brasileira, permitindo a construção de relações de produção, distribuição e consumo sob controle popular e estatal.

Coordenação Nacional – Gestão 2015/16

“Em movimento por uma nova Agronomia”

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