Nota de solidariedade e apoio aos povos indígenas Guarani Kayowá e Guarani Ñandeva

nota feab abeefViemos acompanhando nos últimos dias repetidas cenas de massacre dos Povos Guarani Kayowá e Guarani Ñandeva no estado do Mato Grosso do Sul impulsionado, principalmente, pelo avanço das fronteiras agrícolas e do agronegócio, e somada a inércia do governo frente a necessidade urgente de demarcação de terras indígenas. Desde a colonização que povos indígenas sofrem com massacres e dizimações de suas tribos em função do avanço do capital sobre seus territórios sombreado pela necessidade do ”desenvolvimento” do agronegócio no campo.

Os territórios indígenas foram reduzindo-se a custa de enfrentamentos cruéis de responsabilidade de fazendeiros e latifundiários, que através da grilagem de terras e da destruição de natureza nativa dos biomas, apropriaram-se das terras e estabeleceram sobre elas largas extensões de pastagens e monocultivos nessa região. . A redução desses territórios impede aos povos a expressão cultural em suas tribos e os reduz, em muitos dos casos, a trabalhos escravos e sub-empregos. Empurrados também para as margens das cidades e beiras de rodovias, os indígenas são forçados adaptar-se a uma nova forma de relação social. Assim, o preconceito e a discriminação causam marcas profundas em suas vidas, sendo a bala do agronegócio que parte do ataque de fazendeiros, da ação violenta dos Governos Estaduais e Federal e a omissão do poder judiciário, os responsáveis pelo genocídio dos Povos Indígenas.

Nesse momento também, é através da proposição de projetos como a PEC 215, que passa a responsabilidade de demarcação de territórios indígenas para o Congresso, e de projetos como a Agenda Brasil, que aposta em uma série de medidas que apontam para a continuidade de expansão do agronegócio e da mineração até mesmo em áreas de Unidades de Conservação, que aumenta a ofensiva conservadora e reacionária no Brasil em políticas de desenvolvimento para o campo. Utilizando-se da retirada de direitos e expropriação de territórios indígenas e de comunidades tradicionais por meio de ações violentas, e assegurando a continuidade de dependência das exportações brasileiras de produtos primários através da expansão do agronegócio (apostando no setor agroexportador como um de suas bases de sustentação financeira) as custas de ataques e retirada de direitos de povos e comunidades tradicionais, que vemos o avançar o poder da Bancada Ruralista em defesa de setores dominantes e de interesse apenas de latifundiários.

A pergunta que fica é: quantos mais terão suas vidas tiradas pela força violenta do capital e do agronegócio no campo? Onde estão os poderes públicos e judiciarios que deveriam trabalhar em defesa dos Direitos Humanos e da soberania dos povos e comunidades tradicionais?

Frente a isso, a Associação Brasileira de Estudantes de Engenharia Florestal (ABEEF) e a Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB), transformando a dor em ações de luta, posiciona-se permanentemente em defesa da vida e soberania dos Povos Indígenas, contra o avanço indiscriminado do agronegócio e de medidas que atentem contra os direitos dos povos em nossos territórios. Nos posicionamos contrários a PEC 215 cobrando a demarcação imediata das terras indígenas, reconhecendo essa como direito das comunidades e medida única capaz de acabar com as chacinas e massacres que ocorrem nesse momento nos estados da região central do país. Cabe aqui também, o repúdio as medidas apresentadas como alternativas pela Agenda Brasil, que em nada contribuem com o estabelecimento e desenvolvimento soberano dos Povos Indígenas, apenas mascarando um programa conservador de venda e mercantilização da natureza proposto pelos setores reacionários. Cabe a nos, estudantes de Engenharia Florestal e de Agronomia, o compromisso com nossos povos e florestas, em defesa da vida e do desenvolvimento socioambiental de nossos biomas e agroecossistemas.

Associação Brasileira de Estudantes de Eng. Florestal – ABEEF

Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil – FEAB

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