Análise de Conjuntura

Vivemos num período de hegemonia do modo de produção capitalista em sua fase superior, o imperialismo, consolidado em quase todos os estados nacionais. O Socialismo encontra-se em um período de defensiva estratégica, sendo que as polarizações em nível mundial no terreno da geopolítica tem se dado dentro do espectro intercapitalista.

O momento é de crise do capital, uma crise estrutural que tem como epicentro a dinâmica financeira, tendo caráter prolongado e progressivo, produzindo efeitos negativos para a classe trabalhadora. O centro dinâmico do capitalismo mundial, coordenado pelos EUA, tem ameaçada sua hegemonia liberal, e por isso redobra a aposta nas soluções de austeridade. As contradições de desemprego e de retardo econômico da crise na Europa são um exemplo elucidativo da situação, de onde se busca combater os danos do veneno, com mais veneno. Situação essa que atinge em cheio os Estados Unidos e Japão em maior grau, e também de forma expressiva o restante do mundo.

O que está em jogo é, ao fim e ao cabo, uma disputa entre o capital produtivo e o capital especulativo. O bloco econômico produtivo dos BRICS, coordenado pelas potências Rússia e China tem se preparado em todos os aspectos (militar, cibernético, econômico…) para essa disputa. Por outro lado, o bloco neoliberal tem redobrado a aposta nas velhas saídas de redução dos estados nacionais, financeirização da economia e na guerra. É nesse sentido que constroem uma grande ofensiva as soberanias nacionais.

A América Latina está virando o principal palco dessa disputa internacional. Os dois blocos têm atuado em grande intensidade na região. Os BRICS têm buscado saídas de integração econômica e de investimento na infraestrutura regional. Já o bloco dos EUA e aliados tem apostado no fortalecimento de seus aliados locais, no boicote econômico e na estratégia de golpes institucionais. Houve golpes de estado em Honduras, Paraguai e Brasil. Já houve tentativas, na Bolívia, Venezuela e Argentina, onde a direita venceu as eleições posteriormente. Não por acaso os EUA retomaram os investimentos militares nessa região, não por acaso girou uma grande parcela dos recursos de sua política internacional para cá. Não por acaso a Embaixadora atual dos EUA no Brasil é a mesma que esteve acompanhando o golpe em Honduras e no Paraguai.

A disputa entre esses blocos se dá em vários âmbitos. O principal é o econômico. A disputa por recursos estratégicos como minério, petróleo e energia alimentar, bem como a disputa por mercado são as grandes chaves de uma interpretação materialista, histórica e dialética do cenário internacional. Essa disputa que já fez os EUA e seus aliados devastarem o Oriente Médio, já fez também a Rússia invadir a Criméia, e agora está com seu “canhão” virado para a América do sul.

A classe trabalhadora da América latina cabe intensificar a sua organização e fortalecer a unidade ao redor de uma plataforma democrática, popular e soberana. Cabe as organizações da classe intensificar a luta por direitos de forma combinada com a luta por democracia política e pela soberania nacional.

No Brasil vivemos um estado de exceção, a direita parlamentar com apoio de organizações criminosas e da grande mídia destituiu uma presidenta eleita democraticamente. Alçou aos gabinetes ministeriais o que de mais corrupto, velho e atrasado há na política brasileira. Em nome de um suposto combate a corrupção conseguiu em poucos dias destituir um legado de conquistas da classe trabalhadora urbana e rural.

O governo golpista já mostrou a que veio, exemplos disso são: Revogação o programa “minha casa minha vida”; nomear um entreguista do pré-sal para as relações exteriores; nomear um fundamentalista para a pasta de ciência e tecnologia; extinguir o MDA e destituir o presidente da Anater; tenta aprovar a retomada da DRU com vistas a realizar cortes de 30 % dos recursos de todas as áreas sociais.

É possível e salutar, observar um crescimento assustador de uma direita fascista e reacionária. A candidatura de Trump nos EUA, bem como o crescimento da expressão de políticos como Bolsonaro no Brasil, são grandes demonstrações do crescimento da intolerância e do autoritarismo.

As organizações da classe trabalhadora brasileira, cabe recuperar e ampliar a sua influência política e social frente ao conjunto da classe. É salutar dizer que a CUT precisa voltar a ser um instrumento de referência ao conjunto dos e das trabalhadoras. É também salutar dizer que todas as entidades estudantis dirigidas pela esquerda precisam aumentar e em muito sua legitimidade e representatividade frente ao conjunto dos e das estudantes. Bem como é fundamental que a via campesina e as organizações sindicais rurais precisam retomar o trabalho de base e disputar palmo a palmo o conjunto de camponeses e camponesas do Brasil com o agronegócio. A esquerda precisa superar os seus problemas geracionais e absorver a nova e jovem classe trabalhadora que não possui nela uma referência. Será necessário fazer tudo isso combinando a luta por direitos e em defesa da democracia, a uma resistência a tentativa de destruição do conjunto das organizações da classe. São exemplos dessa tentativa as CPIs da UNE e da Reforma Agrária, e o conjunto de tentativas de criminalizar a CUT na operação lava Jato.

A Frente Brasil Popular tem sido o principal fórum de organização e resistência da esquerda brasileira frente a ofensiva conservadora em curso. Esta tem sido em conjunto com a frente povo sem medo o principal espaço de articulação da luta contra o golpe.

É necessário que o movimento estudantil da agronomia e o conjunto do movimento estudantil brasileiro atuem para fortalecer os espaços unitários da esquerda brasileira. É o momento de, mais do que nunca, convocar a unidade e exercitar os consensos progressivos que devem ser prioridade em busca da construção das plataformas mínimas que mobilizem os setores sociais de nosso bloco histórico.

É fundamental também que se construam pontes para a retomada de uma agenda ofensiva. Para isso é necessário vincular cada vez mais a lutas contra a retirada de direitos, com a luta por reformar democráticas e populares, e de caráter mais estratégico com a luta pelo socialismo.

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