Mulheres em LUTA!

NÚCLEO DE TRABALHO PERMANENTE DE GÊNERO E SEXUALIDADE

“HÁ BRAÇOS DE LUTA CONSTRUINDO A IGUALDADE – GÊNERO E SEXUALIDADE”  

Mafeminismo-feabrielle, Nicinha, Berta, Olga, Roseli, Patria, Minerva, Maria… e tantas outras que não viraram notícia, anônimas, silenciadas. Mulheres assassinadas por contestar e lutar contra o sistema opressor.  Crimes cometidos em épocas e territórios diferentes, porém, com muitos pontos em comum, como a conivência e, muitas vezes, a responsabilidade direta do Estado. Em uma sociedade em que somos julgadas, objetificadas e violentadas de tantas maneiras, nós, mulheres, seguimos sendo símbolo de resistência.

Ao longo dos anos, durante o mês de março, as mulheres protagonizam sua Jornada de Lutas, com o simbolismo histórico do dia 8. Neste ano de 2018, não foi diferente. Por todo o Brasil, trabalhadoras do campo, das águas, das florestas e das cidades, foram para as ruas, em marcha contra o sistema capitalista que nos explora, contra os retrocessos do governo golpista e frequentes atentados à classe trabalhadora, reivindicando nossa soberania nacional, nossa democracia e direitos, por autonomia de nossos corpos e vidas e pela destruição do sistema capitalista patriarcal.  Essa jornada, protagonizada pelas guerreiras de nosso país, contou com ocupações – de terras, empresas privadas, órgãos do governo – escrachos, inúmeros atos de rua, aulas e audiências públicas, espaços de debates e tantas outras formas legítimas de manifestação.

Foi com extrema indignação que recebemos a notícia da execução vereadora Marielle Franco (relatora da comissão que acompanha a intervenção militar no estado do RJ) e do motorista Anderson Pedro Gomes, no dia 13 de março, logo após Marielle ter criticado a ação violenta dos policiais na comunidade do Acari, no Rio, em decorrência da intervenção militar. Marielle, mulher feminista, militante dos direitos humanos, foi a quinta vereadora mais votada na cidade do Rio de Janeiro, e lutava em favor das mulheres, LGBTs, negrxs, faveladxs, e foi vítima do ódio de quem queria lhe calar. Porém, a resposta popular foi ampla e intensa, dentro e fora do Brasil, fazendo ecoar seu nome e seus ideais com toda a força da indignação e do clamor por justiça dos povos excluídos, marginalizados.

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O Brasil é um país fundado sob injustiças e corrupção por parte dos donos do poder, criando uma sociedade desigual e que impõe a violência capitalista, alimentando contradição de que nada feito a partir dos interesses da burguesia melhora a vida do povo. Para que haja uma mudança social real no sentido de melhorar a vida da classe trabalhadora, é necessário que parta do povo indignado, consciente e organizado, em um movimento de luta popular, que tem o poder de modificar e criar novas leis, que sejam aplicadas em favor das/os trabalhadoras/es, como sujeitos de direitos.

O Brasil vive em uma não-democracia, pois não garante as condições para que o povo tenha acesso à direitos e alcance a igualdade e a liberdade. Esse contexto não democrático se intensificou após o Golpe de 2016, que teve início com a retirada da primeira mulher eleita pelo voto popular como presidenta do Brasil, Dilma Rousseff; como segunda fase, a onda massiva de privatizações e total entrega de nossa soberania nacional para o capital estrangeiro; e como terceira fase a condenação e prisão sem provas e em segunda instância do ex-presidente Lula, para eliminá-lo da disputa presidencial de 2018, confirmando o estado de exceção.

O período histórico que vivemos nos exige vigilância constante e respostas rápidas e contundentes às mudanças de conjuntura, trazendo à tona a necessidade urgente de uma união das forças da esquerda e a intensificação da luta de classes. A prisão do ex-presidente Lula e o assassinato da vereadora Marielle Franco atuaram como impulsionadores dessa união, em torno da luta por justiça, por democracia, pelo estado de direito e por “Lula Livre”, mostrando a força da organização popular na luta pela transformação social.

O acampamento “Lula Livre” em Curitiba-PR, montado desde a noite do dia 7 de abril e ativo até hoje, é um exemplo de resistência popular. Composto por militantes de movimentos sociais, sindicais e sociedade civil conta, mais uma vez, com o protagonismo das mulheres, presentes nas coordenações de todos os nichos, sendo também elas que fazem os debates LGBT, do feminismo, os debates da negritude em que a esquerda está tão necessitada.

A luta se constitui como espaço fundamental de formação política, onde estamos em constante movimento e diálogo, em vistas da construção de um projeto popular pra o Brasil. Mas para, além disso, também precisamos de espaços de formação teórica, de acesso à informação, aos estudos e acúmulos já produzidos.

Nossa tarefa, enquanto juventude que contesta e luta, é organizar nossa rebeldia, unindo forças pela aliança camponesa e operária, rumo à construção de uma pátria livre e feminista – livre das cercas, da violência, da intolerância e de todas as formas de opressão e exploração.

O Núcleo de Trabalho Permanente em Gênero e Sexualidade, atualmente sob responsabilidade da FEAB Erexim – UFFS, por meio da campanha “Há braços de Luta Construindo a Igualdade – Gênero e Sexualidade”, almeja levar para dentro e fora das instituições de ensino os debates acerca da questão de gênero, contribuindo no empoderamento das mulheres, no despertar de consciência dos homens, principalmente de nossas companheiras e companheiros feabentxs, na construção de relações de equidade e respeito em nossa militância. O NTP de Gênero e Sexualidade vem unindo forças e trabalhando rumo à construção de uma nova cultura política e um projeto popular para o Brasil, para fora e para dentro da FEAB, esta que ainda tem muitos passos a avançar nas relações de gênero que permeiam nossa Federação. Seguimos firmes na caminhada!

Sem feminismo não há Agroecologia e nem Socialismo!

E a FEAB é de Luta!

Pátria livre, venceremos!

Grasiele Berticelli – Militante da FEAB/UFFS Erexim, NTP de Gênero e Sexualidade

Acesse este arquivo em pdf: Mulheres em Luta

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