Basta de violência contra as mulheres!

O mês de novembro é marcado com datas que representam a luta no decorrer da história, entre estas o dia 25 de novembro, instituído pela ONU em 1999 como o Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher, incitando reflexões sobre a situação de violência em que as mulheres vivem em todo o mundo.

Pensando nisso, ressaltamos a importância de toda militância da FEAB conhecer qual o histórico nas discussões sobre as questões de Gênero e Sexualidade dentro da Federação. Para contribuir nesse processo, segue abaixo um texto escrito pela FEAB Erexim que foi responsável pelo NTP de Gênero e Sexualidade Gestão 2017/2018, através da campanha “Há braços de luta construindo igualdade”.

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Histórico da FEAB nas discussões sobre Gênero e Sexualidade

A presença das mulheres nos espaços da FEAB foi crescendo gradualmente, à medida que foi avançando a inserção destas nos cursos de Agronomia, historicamente sendo um direito reservado aos homens brancos da elite agrária. O debate de gênero na FEAB começou a surgir na década de 90, através das poucas companheiras que tentavam inserir a pauta. Em 1998, companheira da Coordenação Nacional de Cruz das Almas, levou pela primeira vez para o espaço da Confederação Caribenha e Latino-Americana de Estudantes de Agronomia (CONCLAEA) o debate de gênero e a inserção da bandeira em nome da FEAB.

A partir de 2000 começou a ser pautada a plenária de mulheres, a qual só foi deliberada em 2005, ocorrendo no Congresso Nacional de Estudantes de Agronomia (CONEA) de 2006. Nas Plenárias de Superintendências de 2005 foi apontada a superficialidade do debate de gênero e a importância da participação das companheiras nos espaços de mulheres da Via Campesina, e posicionamento da Federação contra o capitalismo patriarcal. Nesse mesmo ano, no CONEA de Viçosa encaminhou-se a participação da FEAB no Encontro de Mulheres da UNE e a aproximação, articulação e apoio aos movimentos LGBT’s da esquerda.

Em 2006 ocorreu o 1º espaço de debate de gênero, separado das demais bandeiras, na Plenária Nacional de Entidades de Base (PNEB), em que se encaminhou a inserção o debate sobre Gênero e Sexualidade na preparação e avaliação dos Estágios Interdisciplinares de Vivência (EIV’s), além de outros espaços de formação da Federação e incentivar construção de coletivos que abordem as temáticas nas universidades.

No 49º CONEA em Cuiabá (MT), instituiu-se a construção dos espaços auto-organizados de mulheres. Foi realizada a primeira plenária de mulheres da Federação, com caráter de reconhecimento entre as companheiras, de identificação e desabafo das opressões vividas nos grupos, além da opressão sexual e realidade das mulheres periféricas, com contribuições das próprias companheiras. A partir disso, impulsionou-se a inserção das mulheres da FEAB em fóruns e mobilizações das mulheres da Via Campesina e demais espaços de discussão de gênero e sexualidade a nível nacional e o avanço no debate sobre o machismo na agronomia.

Em 2007, no CONEA de Aracaju aconteceu a 2ª plenária de mulheres, com caráter mais formativo, trazendo um resgate da origem da opressão, suas causas e consequências, com assessoria de companheiras da Consulta Popular e MMC, tirando-se como linha política a construção com a Via Campesina, enfatizando a participação das feabentas nas lutas do 8 de março com a Via. Em 2008, na PNEB de Belém deliberou-se sobre acumular sobre a legalização do aborto e aprofundar na auto-organização com um curso de formação política e feminista das mulheres.

No 52º CONEA  em 2009, voltou-se o olhar para as camponesas e para o aprofundamento das contribuições sobre o patriarcado, aborto, Lei Maria da Penha. Em 2010, na PNEB de Páscoa, a escola de Seropédica/RJ assumiu o NTP de Juventude, Cultura, Valores, Raça, Etnia, Gênero e Sexualidade. Na Plenária de Superintendência de Viçosa-MG, em setembro, foi feito um espaço sobre divisão sexual do trabalho/feminismo e socialismo, mediado por companheira da então CN (Doce), de Piracicaba/SP. Foi deliberado pelo incentivo a construção regional de espaços conjuntos com movimentos de mulheres, inserindo a FEAB na Frente Pela Não Criminalização das Mulheres e Legalização do Aborto. Em 2010, no CONEA, começou a se firmar as parcerias com os movimentos sociais e a se identificar com a Marcha Mundial de Mulheres.

No pré-CONEA de Belém, em 2011, foi apresentada a contribuição do NTP de Juventude, Cultura, Valores, Raça, Etnia, Gênero e Sexualidade para o posicionamento da FEAB sobre a legalização do Aborto, sendo esta de grande valor e constituindo um avanço para a federação, como organização socialista, classista e antipatriarcal. No 54º CONEA, houve a realização da Plenária auto-organizada de Mulheres, paralela à Plenária de Gênero, esta com a presença de homens e mulheres não contempladas com a Plenária de Mulheres, em que seriam trabalhados o histórico do patriarcado e o feminismo. Além destas, a realização da Plenária Mista, com a presença de todos/as congressistas, com os subsídios das plenárias de Mulheres e de Gênero, debatendo sobre a legalização do Aborto. Nas deliberações do 54º CONEA, foi decidido pela criação de um NTP de Gênero e Sexualidade, que seria dividido no 55º CONEA, além da garantia da equidade de  homens e mulheres nos espaços de formação promovidos pela federação e pelo acúmulo para construção do Curso de Formação Feminista pela próxima escola que assumisse o NTP, sendo esta a de Cuiabá.

No 55º CONEA em 2012, Diamantina assumiu o NTP de Gênero e Sexualidade, levou para a extinta  Plenária de Superintendência a proposta de ser Comissão Organizadora do Curso Nacional de Formação Feminista, junto com Associação Brasileira de Estudantes de Engenharia Florestal (ABEEF) e o coletivo Retalhos de Fulô, de forma auto-organizada, com os objetivos de: tornar mais evidente e definida a linha de feminismo da FEAB, de caráter classista; acumular e instrumentalizar as mulheres para o debate de gênero e feminismo para que possam difundir o conhecimento nos grupos; gerar material de acúmulo para as executivas; potencializar a auto-organização das escolas nas executivas, grupos e coletivos que as mulheres estão inseridas; enxergarmo-nos dentro das executivas como movimento feminista; aproximar dos movimentos de mulheres e dos grupos que pautem feminismo com recorte de classe; entender os diferentes movimentos feministas; e fortalecer a Campanha da Via Campesina contra violência às mulheres. O Curso Nacional de Formação Feminista ocorreu em 2013, em Diamantina, com estudos sobre a história do feminismo, das lutas e auto-organização das mulheres e a importância de debater feminismo nas executivas.

Em 2013, no 56º CONEA de Campos dos Goytacazes, a FEAB Pelotas assumiu o NTP de Gênero e Sexualidade e lançaram a campanha Agronomia Libre, por uma agronomia livre de opressões, com recorte para a LGBTfobia. No 57º CONEA de 2014, a escola de Curitiba assumiu o NTP e durante a gestão formulou a “Cartilha Sobre Diversidade Sexual” com textos do coletivo auto-organizado FEAB de Fruta junto com o Coletivo Voe.

No 59º CONEA em 2016, foi realizado debate sobre a junção dos NTPs de Juventude, Cultura, Valores, Raça, Etnia e de Gênero e Sexualidade em um de Combate às Opressões, com a intenção de trabalhar com recortes, como o de mulheres jovens e negras, encaminhando-se pelo aprofundamento do debate no CONEA seguinte. No 60º CONEA em 2017, deu-se continuidade ao debate da junção dos NTPs, ainda não ocorrendo de forma conclusiva. O NTP de Gênero e Sexualidade foi assumido pela escola de Erexim, e nas deliberações consta o NTP de Combate às Opressões como sem sede.

No 61º CONEA em 2018, as discussões em torno dos NTPs gerou a divisão do NTP de Combate às Opressões em dois, sendo o NTP de Juventude, Raça e Etnia, assumido pela escola de Fortaleza e o NTP de Igualdade e Valores que está sem sede. Essa divisão ocorreu devido o reconhecimento de pouco acúmulo e debate sobre as questões que compõe cada um dos novos NTPs, visto que quando se tratava em um único NTP de Combate às Opressões algumas questões importantes acabavam ficando de lado, silenciando a significância destes. Por fim, o NTP de Gênero e Sexualidade permaneceu sem união à nenhum outro, visto que os debates tratados neste NTP devem permanecer com atenção exclusiva, sendo assumido pela escola de Belém no ano de 2018.  Neste último CONEA retomou-se a discussão em torno da realização do segundo CFF e de acordo com as deliberações finais, concluiu-se que devido o cenário atual e a conjuntura que estamos vivenciando, a realização de cursos regionais será mais interessante para este período, fazendo a formação das nossas bases que ainda tem muito no que avançar sobre o debate do feminismo, gênero e sexualidade.

Acesse este texto em PDF: Histórico FEAB Gênero e Sexualidade

Post Via Campesina Internacional

 

Segue abaixo o link da campanha com alguns materiais para estudo e debates

Há braços de luta construindo a igualdade

 

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