PRA QUE(M) SERVE TEU CONHECIMENTO?

Historicamente a Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil discute a cerca da formação profissional em seus encontros, congressos e espaços, pois acreditamos que nossa entidade deve estar a serviço da transformação da realidade da Agronomia.

Esta campanha denominada “Pra que(m) serve teu conhecimento?” parte da compreensão de que os cursos de agronomia no Brasil, hegemonicamente são formulados e desenvolvidos para atender essencialmente os rendimentos físicos das plantas e dos animais, ou ainda, subordinados a atender as demandas que as multinacionais e o mercado agroalimentar e agroindustrial impõe. Ou seja, parte-se de que este curso precisaria ser formador de profissionais, os quais não necessitariam ter conhecimento sobre o contexto de onde se desenvolve agricultura, dando-se assim, ênfase na formação de agrônomos capazes de resolverem apenas problemas pontuais nas atividades agropecuárias.

A agronomia assim pensada, os aspectos técnicos são concebidos de forma distante em relação aos aspectos sociais, econômicos e ambientais. Esses princípios coincidem com o modelo difusor do pacote tecnológico (transgênicos; agrotóxicos; fertilizantes químicos; mecanização pesada), onde em última analise o agrônomo é tido como o agente que deveria estender ao agricultor as “tecnologias modernas”, e consideradas corretas, as aplicando independente da situação e em inúmeras vezes sem necessidade. Esse tipo de agronomia vem se mostrando cada vez mais incapaz de atender as demandas reais do campo Brasileiro.

Frente a essa crise do modelo de agronomia que vem formando cada vez mais “vendedores de insumos industriais” e devido às contradições de suas próprias práticas, fazer a reflexão e crítica a este modelo de curso torna-se necessário. Consideramos que a discussão da formação do agrônomo se torna importante em dois pontos principais.

Primeiramente, precisa-se ter consciência de onde partem as demandas que os moldes hegemônicos dos cursos de agronomia tendem a atender, colocando no centro do debate os principais pontos do modelo de desenvolvimento adotado. Para que no segundo momento, via reflexão do que já está posto, possa-se fazer uma intervenção que busque a superação desse modelo, e consequentemente uma nova agronomia, que acima de tudo sirva não apenas para a resolução dos problemas puramente técnicos da agricultura, mas sim que sirva para compreender os agroecossistemas na sua plenitude e atender as demandas dos agricultores, e por consequência da própria sociedade.

Por isso propomos a profunda reflexão desse atual modelo de agronomia nas universidades e a formulação de uma nova plataforma curricular em conjunto dos movimentos sociais do campo, profissionais da área, e instituições de ensino pesquisa e extensão, objetivando a produção de algo concreto para que tenha-se em mãos um material que sirva de subsídio para o debate durante a reformulação dos currículos de agronomia nas universidades brasileiras.

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